Esse texto foi produzido a partir de um vídeo-documentário, e leituras a parte, sobre os Incas, pra disciplina de América V da UFPE. O texto é interessante pra todos, inclusive curiosos e profissionais da área, visto que é uma sinopse do documentário, sem falar na importância que é conhecermos mais sobre a cultura a nossa volta e nos livrarmos um pouco do europocentrismo que cerca nossas instituições de ensino e nossos pré-conceitos do mundo e da arte. Essa primeira foto é das ruínas do que foi a arquitetura do império Inca de Machu-Picchu.Entre os Incas, o imperador era considerado um deus. E pelo que se percebe em relação às construções, a sociedade era extremamente hierarquizada, e como em qualquer outra sociedade, tal fato coloca os líderes em vantagens administrativas e de controle e ordem sócio-moral. A cidade de Machu Picchu foi descoberta em julho de 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham, e é considerada patrimônio Cultural da Humanidade. Está localizada a mais de 2000 metros de altitude sobre o nível do mar e rodeada por uma exuberante vegetação. A área dominada pelo Império Inca foi uma das mais extensas dentre todos os impérios conhecidos, o que dá a eles o título de o maior império pré-colombiano até hoje conhecido.
A organização dos Incas era piramidal, tendo o chefe supremo poderes divinos. Seus deuses eram os elementos naturais. Seu deus principal era o Sol, no qual se conclui como eles faziam da região onde habitavam uma bem-vinda adaptação psíquica às intempéries naturais. Também porque tinham uma organização econômica baseada na agricultura e dependiam destes elementos fundamentais – luz e água – para a fartura. Tinham profundo conhecimento de meteorologia e das estações do ano para saber a época apropriada para plantio e a colheita das várias espécies vegetais. Também eram muito hábeis na manipulação da cerâmica, tecidos e do ouro.
As construções arquitetônicas, apesar da austeridade em relação às dos Maias, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve, principalmente, ao fato de os espanhóis terem se empenhado em tentar destruir todos os vestígios possíveis da civilização, o que bem observa o narrador do documentário: “seria muita pretensão dos colonizadores conseguir destruir todo o legado cultural Inca”.
O que marcou a arquitetura Inca foi o trabalho com a rocha. Obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores Incas. Tais pedras eram constituídas de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina folha de papel. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas. Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas, o que nos deixa ainda mais curiosos sobre a inteligência desses povos, ainda mais em relação ao processo de terraceamento organizado para a agricultura, processo ainda hoje usado pelos descendentes indígenas para produção agrícola.
Também é incontestável a engenhosidade de certas construções como, por exemplo, os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.
O documentário também privilegia a análise da posição privilegiada de Macchu-Picchu, que permitiu a execução de profundos estudos científicos e muitos cultos religiosos, principalmente no que se refere ao sol. Talvez por isso, a cidade era considerada um verdadeiro santuário. De seu conjunto arquitetônico, formado por mais de 200 edifícios, o vídeo – e com razão, graças à explenderosidade da construção – dá ênfase ao Observatório Solar e a mais dois grandes templos: o Principal e o chamado das Três Janelas. No Observatório, encontra-se uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol e que servia como instrumento científico para as observações astronômicas e cálculos meteorológicos sobre a forma redonda do céu, que ajudavam a prever a época propícia para a colheita. Os conhecimentos de Geometria e Geografia adquiridos pelos cientistas incas foram provavelmente utilizados nas construções de cidades famosas como Macchu-Picchu e Cuzco – como a forma de um leopardo dada à cidade de Cuzco. Para o posicionamento de determinadas construções, como os prédios da cidadela de Macchu-Picchu, os Incas deveriam saber a exata localização dos pontos cardeais e saber o local exato do nascer e do pôr do Sol no horizonte nos dias de equinócios. Como eles poderiam sabê-lo? Talvez o tenham feito através de observações sistemáticas do movimento do sol no céu.
Já Cuzco encontra-se num vale de um rio, nos Andes do Peru, e está a mais de 3000 metros sobre o nível do mar. Pouco se conhece de Cuzco, anterior à conquista dos espanhóis. Dizem que foi fundada em torno dos séculos XI e XII d. C. segundo uma lenda proveniente da região do lago Titicaca. Cidade sagrada e capital do Império Inca, foi o centro do governo das quatro extensas regiões do fabuloso Império que chegou a abarcar grande parte do que é atualmente o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile. Em 1534, Francisco Pizarro fundou sobre a cidade de Cuzco uma cidade espanhola, que se construiu sobre o cimento Inca. Cuzco é um exemplo típico de fusão cultural, herdando monumentos arquitetônicos e obras de arte de valor incalculável. Curioso é o comentário de parte do documentário que mostra os espanhóis construindo sua arquitetura sobre a arquitetura Inca, e quando os terremotos aconteciam, toda a construção espanhola ia abaixo, enquanto a original permanecia intacta – isso mais especificamente em Cuzco.Em relação aos sacrifícios humanos, os vídeos deixam claro que tal fato era comumente executado. Estimativas de análises apontam essa ocorrência cultural como maneira de controlar o crescimento da população ou para simplesmente mostrar o poder de controle do soberano. Uma cena do documentário chama atenção ao mostrar uma refiguração do jogo de bola, onde o narrador do vídeo comenta que, às vezes, para acalmar a ira dos deuses, diversos sacrifícios ocorriam entre os jogos, e um em especial: o do time perdedor ser inteiro sacrificado no fim da partida. Tal analise pode chocar a sociedade atual, se tal fato não for interpretado dentro de sua época e de sua cultura. Se analisarmos com afinco, hoje temos muitas formas de nos sacrificar dia-a-dia, a única diferença é que são formas consideradas legais e/ou disfarçadas o suficiente para que não as percebamos.
3 comentários:
Muito obrigada pela informação, foi muito útil e interessante! Esse documentário é assessível d alguma forma? Gostaria de vê! Eu sou amiga de Marílha, Angélica, te conheci no antigo, vcs salvando uma menina "desconhecida" que estava desolada! Beijos
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Não há de que, moça Gell. =o)
É um prazer ser útil quando necessário.
Pois é, aquele dia foi uma onda!
=D. Mas, eu queria saber quem é tu!
Eu não vou me lembrar só por "Gell".
meu orkut é esse: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7390488796988961176
Dá uma chegada lá pra gente trocar umas folhas de coca! = D
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muito intressante este resumo, muito mesmo.
cheguei até através de uma busca pela internet sobre os incas.
está de parabens quem o fez.
e gostaria de ver esse documentario, se puder postar o link aqui no site.
xD
grato
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