quinta-feira, 14 de junho de 2007

Um Império embaixo dos nossos narizes e praticamente desconhecido pela maioria.

Esse texto foi produzido a partir de um vídeo-documentário, e leituras a parte, sobre os Incas, pra disciplina de América V da UFPE. O texto é interessante pra todos, inclusive curiosos e profissionais da área, visto que é uma sinopse do documentário, sem falar na importância que é conhecermos mais sobre a cultura a nossa volta e nos livrarmos um pouco do europocentrismo que cerca nossas instituições de ensino e nossos pré-conceitos do mundo e da arte. Essa primeira foto é das ruínas do que foi a arquitetura do império Inca de Machu-Picchu.

Os Incas estiveram mais concentrados na região da Cordilheira dos Andes, mais ou menos nas atuais regiões hoje ocupadas pelo Equador, Peru, norte do Chile, Oeste da Bolívia e noroeste da Argentina. Fundaram no século XIII a capital do império, Cuzco. Foram conquistados, dominados e dizimados pelos espanhóis no ano de 1532, fato que nos deve a perda de grande parte da cultura material do império, como pergaminhos e relacionados.
Entre os Incas, o imperador era considerado um deus. E pelo que se percebe em relação às construções, a sociedade era extremamente hierarquizada, e como em qualquer outra sociedade, tal fato coloca os líderes em vantagens administrativas e de controle e ordem sócio-moral.
A cidade de Machu Picchu foi descoberta em julho de 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham, e é considerada patrimônio Cultural da Humanidade. Está localizada a mais de 2000 metros de altitude sobre o nível do mar e rodeada por uma exuberante vegetação. A área dominada pelo Império Inca foi uma das mais extensas dentre todos os impérios conhecidos, o que dá a eles o título de o maior império pré-colombiano até hoje conhecido.
A organização dos Incas era piramidal, tendo o chefe supremo poderes divinos. Seus deuses eram os elementos naturais. Seu deus principal era o Sol, no qual se conclui como eles faziam da região onde habitavam uma bem-vinda adaptação psíquica às intempéries naturais. Também porque tinham uma organização econômica baseada na agricultura e dependiam destes elementos fundamentais – luz e água – para a fartura. Tinham profundo conhecimento de meteorologia e das estações do ano para saber a época apropriada para plantio e a colheita das várias espécies vegetais. Também eram muito hábeis na manipulação da cerâmica, tecidos e do ouro.

As construções arquitetônicas, apesar da austeridade em relação às dos Maias, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve, principalmente, ao fato de os espanhóis terem se empenhado em tentar destruir todos os vestígios possíveis da civilização, o que bem observa o narrador do documentário: “seria muita pretensão dos colonizadores conseguir destruir todo o legado cultural Inca”.
O que marcou a arquitetura Inca foi o trabalho com a rocha. Obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores Incas. Tais pedras eram constituídas de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina folha de papel. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas. Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas, o que nos deixa ainda mais curiosos sobre a inteligência desses povos, ainda mais em relação ao processo de terraceamento organizado para a agricultura, processo ainda hoje usado pelos descendentes indígenas para produção agrícola.
Também é incontestável a engenhosidade de certas construções como, por exemplo, os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.
O documentário também privilegia a análise da posição privilegiada de Macchu-Picchu, que permitiu a execução de profundos estudos científicos e muitos cultos religiosos, principalmente no que se refere ao sol. Talvez por isso, a cidade era considerada um verdadeiro santuário. De seu conjunto arquitetônico, formado por mais de 200 edifícios, o vídeo – e com razão, graças à explenderosidade da construção – dá ênfase ao Observatório Solar e a mais dois grandes templos: o Principal e o chamado das Três Janelas. No Observatório, encontra-se uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol e que servia como instrumento científico para as observações astronômicas e cálculos meteorológicos sobre a forma redonda do céu, que ajudavam a prever a época propícia para a colheita. Os conhecimentos de Geometria e Geografia adquiridos pelos cientistas incas foram provavelmente utilizados nas construções de cidades famosas como Macchu-Picchu e Cuzco – como a forma de um leopardo dada à cidade de Cuzco. Para o posicionamento de determinadas construções, como os prédios da cidadela de Macchu-Picchu, os Incas deveriam saber a exata localização dos pontos cardeais e saber o local exato do nascer e do pôr do Sol no horizonte nos dias de equinócios. Como eles poderiam sabê-lo? Talvez o tenham feito através de observações sistemáticas do movimento do sol no céu.

Já Cuzco encontra-se num vale de um rio, nos Andes do Peru, e está a mais de 3000 metros sobre o nível do mar. Pouco se conhece de Cuzco, anterior à conquista dos espanhóis. Dizem que foi fundada em torno dos séculos XI e XII d. C. segundo uma lenda proveniente da região do lago Titicaca. Cidade sagrada e capital do Império Inca, foi o centro do governo das quatro extensas regiões do fabuloso Império que chegou a abarcar grande parte do que é atualmente o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile. Em 1534, Francisco Pizarro fundou sobre a cidade de Cuzco uma cidade espanhola, que se construiu sobre o cimento Inca. Cuzco é um exemplo típico de fusão cultural, herdando monumentos arquitetônicos e obras de arte de valor incalculável. Curioso é o comentário de parte do documentário que mostra os espanhóis construindo sua arquitetura sobre a arquitetura Inca, e quando os terremotos aconteciam, toda a construção espanhola ia abaixo, enquanto a original permanecia intacta – isso mais especificamente em Cuzco.Em relação aos sacrifícios humanos, os vídeos deixam claro que tal fato era comumente executado. Estimativas de análises apontam essa ocorrência cultural como maneira de controlar o crescimento da população ou para simplesmente mostrar o poder de controle do soberano. Uma cena do documentário chama atenção ao mostrar uma refiguração do jogo de bola, onde o narrador do vídeo comenta que, às vezes, para acalmar a ira dos deuses, diversos sacrifícios ocorriam entre os jogos, e um em especial: o do time perdedor ser inteiro sacrificado no fim da partida. Tal analise pode chocar a sociedade atual, se tal fato não for interpretado dentro de sua época e de sua cultura. Se analisarmos com afinco, hoje temos muitas formas de nos sacrificar dia-a-dia, a única diferença é que são formas consideradas legais e/ou disfarçadas o suficiente para que não as percebamos.

É uma pena que civilizações de culturas tão ricas tenham sido destruídas. Em muitos campos como agricultura, medicina e astronomia, os conhecimentos dos Incas eram superiores aos dos europeus. Não se pode fazer idéia do que se perdeu em termos de tratados científicos, organização sócio-política, agricultura, artes e arquitetura, com a destruição quase total desses povos.

3 comentários:

Gell disse...

Muito obrigada pela informação, foi muito útil e interessante! Esse documentário é assessível d alguma forma? Gostaria de vê! Eu sou amiga de Marílha, Angélica, te conheci no antigo, vcs salvando uma menina "desconhecida" que estava desolada! Beijos

cinco bombas atômicas, em cima do seu cérebro disse...

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Não há de que, moça Gell. =o)

É um prazer ser útil quando necessário.

Pois é, aquele dia foi uma onda!
=D. Mas, eu queria saber quem é tu!
Eu não vou me lembrar só por "Gell".

meu orkut é esse: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7390488796988961176

Dá uma chegada lá pra gente trocar umas folhas de coca! = D

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marcelo disse...

muito intressante este resumo, muito mesmo.
cheguei até através de uma busca pela internet sobre os incas.

está de parabens quem o fez.
e gostaria de ver esse documentario, se puder postar o link aqui no site.
xD

grato