
Certo, mas e o que tem a ver teoria quântica com interpretação dos fatos históricos?
A idéia da descontinuidade, que marca esse espaço-tempo de análise, altera os conceitos científicos e o modo de pensar como um todo.
Partindo da idéia lúdica de que as ciências são ciclicamente evolutivas, seguindo do centro para o extremo do espiral, não há como considerar imutável e/ou linear uma ciência, até porque também, além das mudanças, sempre há a necessidade de usufruir-se do que já foi desenvolvido, com a finalidade de se dar continuidade ao processo.
É nesse sentido que encontramos um paralelo sensacional entre a interpretação dos fatos históricos, enveredando pelo caminho interpretativo quântico.
Quando digo que é partir do estudo do átomo que a ciência passa a investigar um mundo extremamente pequeno e infinito, quero tentar mostrar que é fundamental à história se averiguar interpretativamente, partindo, irrestritamente, dos espaços menores aos maiores.
Vamos por partes.

Em relação à historiografia, a chamada Escola dos Annales se constituiu um movimento que se destacou por incorporar métodos analíticos das Ciências Sociais à História, considerando a própria História uma Ciência Social.
Nesse sentido, percebi que a História Cultural, especialmente a chamada Nova História Cultural, é um campo capaz de livrar o historiador de seus velhos apegos e abrir-lhe as portas para uma nova forma de fazer história.
Em sua definição comum, a partir da decada de 1970, freqüentemente são combinadas abordagens antropológicas às históricas ao olharmos às tradições da cultura popular e às interpretações culturais da própria experiência histórica. Esse método se sobrepõe – e se mescla ao mesmo tempo, em sua abordagem – ao movimento francês dessa história das mentalidades.
É comparada, por Peter Burke, à Antropologia, devido a seu caráter extremamente interdisciplinar, absorvendo contribuições da Antropologia, dos críticos literários, que adaptam os métodos de “leitura rigorosa” aplicado a textos não literários, documentos oficiais, textos rituais e textos imagéticos à interpretação oficial dativa organizacional Histórica.
A famosa trilogia organizada em 1974 por Jacques Le Goff e Pierre Nora, intitulada “História: Novos Problemas, Novas Abordagens; Novos Objetos” amplia a noção de fontes a quaisquer vestígios deixados pelo homem e não só apenas a documentos escritos ou oficiais, ampliando as possibilidades metodológicas, incluindo importantes e fundamentais diálogos com essas ciências irmãs.
A partir disso, detectam-se as implicações dos muitos desdobramentos na esfera interpretativa da nova história que, longe de tomar como objeto preponderante só as interpretações dos expoentes filosóficos e as manifestações formais de cultura (como a arte e a literatura), demonstram sua estima pelas práticas populares ou pelas manifestações das massas inominadas, expressas nos rituais religiosos, crenças, festas e resistências cotidianas ao poder instituído.
No terreno da história social e política, foi o descontentamento com os modelos tradicionais que impulsionou a revisão de axiomas pautados por obnubilantes explicações globais.

Isso posto, à ficção, têm-se diversas linhas de análises que consideram a análise histórica a partir de um ponto de vista lúdico, não deixando de lado a importância da veracidade dos fatos. A micro-análise italiana (micro-história), a história cultural estadunidense, a história – já comentada – da mentalidade francesa, a história genealógica de Foucault – paralelamente às averiguações teóricas de Benjamin e Nietzsche – têm representações que deixam claro, na prática historiográfica a nova forma de analisar e escrever os fatos. Autores / pesquisadores como Carlo Ginzburg, Robert Danton, Natalie Zenon Davis, Clifford Geetz, o próprio Benjamin, Foucault, Volvelle, entre outros, trazem à luz da contemporaneidade o novo fazer histórico, como “O Queijo e os Vermes” de Ginzburg, o “Massacre dos Gatos” de Robert Danton, “O Retorno de Martin Garry” de Zenon Davis, “A Interpretação das Culturas” de Geetz, a “História da Loucura” de Foucault, são fatos consumados de representações que com muita competência fazem da história um caminho sinuoso de ladeiras mais que agradáveis de se subir de vagar e com cuidado, aproveitando cada passo ao máximo.
Desse modo, talvez a conjugação entre o poder e as representações venham a assinalar novos dispositivos de apreensão do saber histórico, sejam eles centrados no estudo do imaginário e/ou da simbologia política.

Direcionar a análise do texto pra o campo de visão que nos torna obrigados a analisar que, hoje, a construção de uma teoria que faça a unificação da teoria quântica e da teoria da relatividade em uma única teoria é o principal objetivo da maior parte da atividade dos físicos teóricos, e que várias idéias diferentes estão sendo ativamente desenvolvidas, faz perceber que "nos últimos dez anos, tem havido alguns desenvolvimentos notáveis, que nos levaram mais para perto desse objetivo. No entanto, ainda é verdade que ninguém conseguiu construir uma teoria que unifique a teoria quântica e a da relatividade, de forma que seja completamente satisfatória. Contudo, todo esse campo de análise nos faz aproveitar ao máximo essa discussão para a direcionarmos aonde nos interessa: a análise histórica e filosófica dos fatos” (Lee Smolin, 2004: P 7).
Por fim, não se deve furtar de proclamar que, os resultados dessa nova forma de constituir análise, foram e são plenamente satisfatórios. Ao superar os propósitos iniciais, a analogia entre o método quântico da física, da química e das ciências divalentes, refletiu nas ciências denominadas humanas exatamente na necessidade de uma crescente reformulação no nível de se enxergar o todo a partir das pequenas partes, de buscar a análise de dentro pra fora – o que também nos remete aos formais do pensamento oriental, seja ele místico em sua essência, ou não.

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As imagens foram tiradas de www.google.com.
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2 comentários:
Por isso que tu tava leso ontem, Fel. uhauhauhauhauhauaha..
xêru.
^.^
olá fel! já que queres explodir cabeças ou até a sua própria... resolvi te aconselhar uma leitura imperdível nessa linha de discussão ai... quem sabe nas férias não dá tempo??
Já leu algo do Stephen Toulmin?? (COSMOPOLIS, THE USES OS ARGUMENT ou THE FABRIC OF THE HEAVENS)Cosmopolis para um hioriador deve realmente refazer a base de uma história da ciência onde de Descartes poeta à um Hobbes cientista e um Boyle humanista tudo se reverte e se revela surpreendente! Além do Toulmin, o polêmico Bruno Latour (CIÊNCIA EM AÇÃO, A CAIXA DE PANDORA, VIDA DE LABORATÓRIO ETC... MUITOS OUTROS)também dá onda com seus objetos hibridos... abraços e boas festas carnavalescas ai desse norte!
Clarisse. Q. K.
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