segunda-feira, 25 de junho de 2007

Vocês têm família, tá? Vocês têm trabalho, tá? Mas vocês não têm progresso nenhum!




Segundo, isso:
Altos índices de violência se mantiveram no Brasil em 2006, devido a problemas nos sistemas de segurança pública, penitenciária e judicial, inclusive com violações sistemáticas dos direitos humanos, segundo o relatório anual da Anistia Internacional publicado essa semana. O relatório denuncia que a tortura "continua sendo generalizada e sistemática", e fala de "dezenas de milhares de mortes relacionadas com armas". Além disso, lembra atuações abusivas da Polícia e violações de direitos no acesso À TERRA, calculando ainda que cerca de 8 MIL PESSOAS estejam em condições de escravidão ou servidão. Sobre o primeiro mandato do presidente Lula, a Anistia Internacional (AI) diz que "se caracterizou pelas abundantes denúncias de corrupção política, procedentes de todo o espectro político". "O envolvimento de funcionários do Estado em atividades ilegais derivou em violações de direitos humanos e num aparente aumento do crime organizado em todo o país", diz o relatório. Porém, o texto ressalta também os programas sociais do Governo, "que permitiram que cerca de 11 milhões de famílias pobres recebessem uma subvenção ao enviar a seus filhos e filhas à escola primária", embora eu não discuta aqui e agora as conseqüências positivas e negativas disso. Enfim. A AI cobra as reformas prometidas do sistema penal, suja ausência "contribuiu para que os funcionários encarregados de fazer cumprir a lei cometessem violações sistemáticas de direitos humanos, como uso excessivo da força, execuções extrajudiciais, torturas e maus-tratos, e dessem mostras de uma corrupção generalizada". O relatório lembra que mais de mil pessoas (807 no Rio de Janeiro e 528 em São Paulo) morreram em confrontos com a Polícia, que classificou os incidentes como "resistência seguida de morte". As situações, no entanto, "parecem indicar" em muitas casos uso excessivo da força ou execuções extrajudiciais. A AI lembra o surgimento em São Paulo de uma facção criminosa nascida nas prisões, a resposta policial com a morte de "suspeitos" e as denúncias de homicídios "no estilo dos esquadrões da morte" em diversos estados. Sobre a situação das prisões, a AI destaca o aumento da população carcerária e um investimento econômico e político insuficiente. Um exemplo da "quebra do sistema" é o fato de que 1.600 presos, entre eles doentes e feridos, permaneceram durante vários meses num pátio com espaço para 160 pessoas, enquanto era reconstruída a prisão de Araraquara em SP. O relatório calcula que milhões de pessoas sofrem privações sociais e econômicas por terem sido privadas do acesso à terra e À MORADIA. O problema "continua sendo um foco de violações de direitos humanos", inclusive despejos, ataques a ativistas agrários ou contra a construção de represas, movimentos de ocupação de imóveis urbanas e conflitos com povos indígenas. A AI cita números da Comissão Pastoral da Terra quando se refere ao cálculo de 8 mil pessoas foram submetidas a condições equivalentes à escravidão ou servidão. Os defensores de direitos humanos "continuam sendo alvo de ameaças e ataques", segundo a AI e segundo percebemos cotidianamente. O relatório lembra ainda o assassinato em 1987 do jesuíta espanhol Vicente Cañas, que trabalhava na defesa dos povos indígenas. Dois supostos assassinos foram julgados 19 anos depois, mas o tribunal, que confirmou que houve assassinato, absolveu os réus devido a erros na investigação.
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Agora, não creio como alguém ainda consegue direcionar e/ou relacionar culpa à maioria das pessoas pobres que roubam, matam e/ou trazem a violência pra sociedade!
Maior violência a sociedade oferece - além de não dar muita alternativa de escolha - pra essas pessoas. Isso é só uma resposta, que, ao meu ver, já vem tarde, e ainda não tá nem no começo... A tendência é piorar.
E você ainda pode até vir me dizer: "sim, mas e as pessoas inocentes que não culpa e sofrem com essas consideradas transgressões? A gente não têm culpa de nada pra sofrer com isso". Aí é que tá o engano. Você, eu, todos nós somos a SOCIEDADE. Se ela tá do jeito que tá, a culpa não é de mais ninguém que além de minha, sua, dele e dela. Não adianta se trancar, se blindar ou se escconder. A culpa é de todo mundo, e cedo ou tarde, a violência vai chegar em você.
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quarta-feira, 20 de junho de 2007

Eis que surge o renascimento:

do Underground...


No início foram os beatnicks. Era começo dos anos de 1950 e o mundo vivia o pós-guerra. Os EUA, despontando como grande potência bélico-econômica mundial, construíam o que entraria para a história como american dream (sonho americano). Mas sua juventude encontrava-se perdida em meio a um pesadelo de incertezas e sentimentos de desajuste. Costumes antigos não mais cabiam na nova época. A saída? Abandonar tudo e experimentar novos lugares, novos hábitos e tudo mais que houvesse de novo. A literatura beat, embora nascida em textos de poesia ou prosa, trazia forte componente filosófico e musical, além de forte interesse por tudo o que quebrasse o discurso do establishment - político e cultural.No entanto, as manifestações do comportamento se encontravam em pleno movimento, e as coisas ainda tinham que mudar bastante. Segundo Cláudio Willer, pioneiro tradutor de literatura beat no Brasil e também poeta, o movimento existiu em um contexto relativamente curto no tempo, encerrando-se em seu formato original no final dos anos de 1950. Dele, no entanto, nasceria o primo famoso, o movimento de contracultura, que se fez conhecer mundialmente por meio da figura dos hippies. "Digamos que os beats do final de 1950 foram substituídos - ou sucedidos - pelos hippies a partir de meados da década de 1960", esclarece Willer. "A contracultura nasce dentro da geração beat ou a partir dela." Nessa linha do tempo, o poeta aponta como decisivo fato desencadeador a participação de Allen Ginsberg em manifestações pacifistas a partir de 1963, quando o autor voltou de uma longa viagem ao Oriente e passou a prestar especial atenção a tudo o que fosse alternativo. "Além de sua aproximação com Bob Dylan e grupos de rock", complementa Willer.
No Brasil, a exemplo do que acontecia no resto do mundo - pelo menos o ocidental -, a contracultura, sua música e, principalmente, sua atitude fariam surgir outra vertente que igualmente ficaria na história - e que, segundo alguns, ainda continuaria em voga: o underground. "Nos anos 60, quando Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa fizeram a Tropicália, embora eles quisessem arrebentar com a coisa toda, na verdade eles faziam uma pequena cultura underground, “a exemplo de Gal Costa, quando faz, em seu segundo disco, uma lista das coisas alternativas que ela gostava”, explica o escritor e dramaturgo Antonio Bivar, participante do projeto Underground – Passado / Presente?, no Sesc Consolação, em São Paulo.
Com o País vivendo sob uma ditadura militar que tentava calar artistas e intelectuais numa época em que o mundo fervilhava de novidades, o movimento nasceu ligado fortemente a um desejo de liberdade. O artista plástico José Roberto Aguilar pinta um quadro da época: "Muito do underground, mesmo nas lutas políticas, partiu para um lance de conduta e comportamento, e isso foi fantástico. Além disso, havia o 'faça amor, não faça guerra', a permissividade sexual, os novos comportamentos. O underground nasceu assim”.






...ao Udigrudi

Segundo Luiz Carlos Maciel, Glauber Rocha inventou esse termo para "satirizar" o pessoal do Julio Bressane e Rogério Sganzerla, ou seja, o cinema underground, críticos do Cinema Novo. "E a palavra é horrível, ela manifesta uma ignorância não só do inglês como do português também", enxerga Maciel. Por isso diz-se que a 'tradução' foi uma tentativa de Glauber ridicularizar o movimento. "Ele quis reduzir o underground, principalmente no cinema, porque o pessoal desse movimento na época era uma geração que vinha contestando Glauber. Embora eles fossem meio filhos dele, eles queriam contestar seu poder paterno. E Glauber se sentia sacaneado por eles e inventou esse termo." No entanto, os representantes do underground adoraram a idéia, achavam que tinham de fato provocado com sua atitude contracultural e resolveram assumir o termo. Dessa forma, muitos começaram a se chamar de udigrudi, a despeito da intenção original do termo. Outra vertente é que o termo teria sido criado pelo jornal Pasquim para referir-se ao movimento “underground”, e depois alguns o utilizaram para o movimento contra-cultural recifense.
Os cineastas que fizeram parte do cinema novo prosseguem suas carreiras, a partir da segunda metade dos 70, já desligados do movimento (embora para alguns, especialmente Glauber Rocha, seja difícil afastar-se do rótulo). O cinema novo é substituído como “o” cinema alternativo pelo movimento Udigrudi o cinema-lixo de Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, entre outros, que aparece como, simultaneamente, uma rejeição (principalmente do intelectualismo e das opções estéticas ali- nhadas ao cinema europeu) e uma radicalização do cinema novo. Sem pretensões tão internacionalistas e sem uma política tão definida para o terceiro mundo, o cinema Udigrudi ainda assim faz sua afirmação sobre como deve ser a estética terceiro-mundista: a partir do lixo, das sobras podres (que pode ser tanto lixo cultural, lixo midiático, como lixo tecnológico) do primeiro mundo, o terceiro mundo tem que fazer um cinema ne- cessariamente precário, mal-acabado, violento, iconoclasta e antiburguês.
O movimento Udigrudi, bastante difundido no Recife da década de 70, resumiu-se a uma discografia pequena, onde as dificuldades técnicas da época (Recife, anos 70) foram sobrepostas pelo talento musical e força de vontade, apoiado não só na música - mas em textos, peças teatrais, cinema e artes plásticas - pode demonstrar a riqueza desse (anti) movimento, que trazia influências da Jovem Guarda, beatlemania, tropicalismo e regionalismo, tudo isso unido a uma psicodelia pós-Woodstock. Entre os maiores representantes musicais desse processo, estão Alceu Valença, Aratanha Azul, Ave Sangria, Flaviola e o Bando do Sol, Geraldo Azevedo, Ivinho, Laboratório de Sons Estranhos, Lula Côrtes, Laílson, Marconi Notaro, Paulo Rafael, Phetus, Robertinho de Recife, Zé da Flauta, Zé Ramalho, entre outros.
Paêbirú é um dos principais expoentes do gênero Udigrudi. Participaram da gravação do álbum músicos importantes, como Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Na época em que gravou Paêbirú, Lula Côrtes já tinha no currículo o disco Satwa, de 1973, que trazia canções com títulos como Alegro Piradíssimo, Blues do Cachorro Louco e Valsa dos Cogumelos. Já Zé Ramalho tocava com Alceu Valença e tinha em sua bagagem a experiência de grupos de Jovem Guarda e beatlemania.
Além de sua raridade, Paêbirú é caro devido a uma aura quase mística. A fábrica e estúdio Rozenblit, onde o álbum foi produzido, ficava à beira do rio Capibaribe e foi inundada por uma enchente que atingiu Recife em 1975. Milhares de cópias do disco foram perdidas. Salvaram-se cerca de 300, que a ex-mulher de Côrtes, a cineasta Kátia Mesel, havia levado para casa. O disco nunca foi relançado no Brasil, devido a um desentendimento entre Côrtes e Ramalho. No entanto, o selo alemão Shadoks relançou Paêbiru em CD e vinil na Inglaterra ilegalmente, segundo Lula Côrtes. Paêbirú quer dizer “o caminho do sol”, na linguagem inca. O álbum trazia seus quatro lados dedicados aos elementos da natureza [água, terra, fogo e ar]. Nesse clima, rolam canções perfeitas para um momento zen, como Trilha de Sumé, Culto à Terra, Bailado das Muscarias, com 13 minutos de violas, flautas, baixo pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes". Raga dos raios, com uma fuzz-guitar ensandecida, e a obra-prima Nas Paredes da Pedra Encantada, os segredos talhados por Sumé, regravada nos anos 90 por Jorge Cabeleira, com participação de Zé Ramalho.
Todos, ou quase todos os discos relacionados a esse movimento e a outros que o influenciaram de forma direta ou indireta, consciente ou inconsciente, como a tropicália e relacionados, podem ser encontrados para donwload em:
http://udigrudirecife.multiply.com e/ou em http://sombarato.blogspot.com.
Já para quem se interessa mais ou ainda não conhece a psicodelia nordestina, mais especificamente, é só acessar o blog
Brazilian Nuggets. Lá é possivel baixar alguns discos, ver capas e ler releases e matérias sobre os álbuns.
Hoje, sabemos e entendemos que o movimento underground continua, contudo seguindo vertentes diferentes em relação a sua atuação. Na rede informatizada, encontramos zines e sites direcionados ao movimento, como o
http://udigrudi.net/zine/2006/08/index.html, embora nem sempre o conteúdo desses links nos enviem para o estudo e a análise mais aprofundada do que foi o movimento na época, mas fazem uma continuação do movimento atendendo às novas necessidades de interpretações criadas na pós-modernidade.


Fontes e referências:

Blog SomBarato:
www.sombarato.blogspot.com

PRYSTHON, Angela, In A Terra em Transe: o cosmopolitismo
às avessas do cinema
, UFPE, 2004.

________________, (organizadora); In Interferências Contemporâneas, 1998, UFPE.

Revista Paradoxo,
www.revistaparadoxo.com, reportagem de Conceição Gama, de fevereiro de 2006.

Site
www.wikipedia.org

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segunda-feira, 18 de junho de 2007

No interior do indivíduo, o fator decisivo da liberdade

A idéia que defendo é de que o processo de libertação individual é perfeitamente passível de ser iniciado dentro de uma sociedade repressiva. Isso principalmente porque os poderes de que o meio externo dispõe para nos oprimir são bastante mais modestos que aqueles com os quais nos ameaçam. Se as pessoas livres forem criaturas mais livres e serenas, elas influirão sobre as outras através do exemplo pessoal, de modo a compor uma corrente que abalará rapidamente os alicerces de uma sociedade como a nossa, principalmente porque os que a governam são criaturas infelizes, amarguradas e insatisfeitas, apesar de se empenharem muito para se mostrar realizadas e contentes. Dessa forma, há muito tempo acredito que a grande revolução que nós, como geração, podemos fazer é a de buscar nos entendermos e conhecer os mecanismos de nossa vida psíquica, sempre com o objetivo de construir um modo de vida interior consistente e o mais possível coerente com nossas condutas. A liberdade, para mim, consiste na alegria interior derivada desta coerência entre pensamento e conduta, alegria que só pode ser atingida no final de uma longa e penosa introspecção, através da qual teremos de nos deparar com muitas dolorosas verdades das quais sempre tentamos nos esquivar. Liberdade não é um tipo determinado de pensar ou agir. Ao se definir a liberdade dessa maneira, se estará imediatamente contradizendo sua efetiva significação. Liberdade é o prazer erótico – talvez a mais genuína e gratificante manifestação da vaidade humana – derivado da coerência. A perda da coerência entre pensamento e conduta implica na impossibilidade de experimentar este prazer fundamental, ainda que ela seja derivada de complexas e sofisticadas racionalizações. Como cada cérebro é composto de bilhões de células e foi submetido a experiências peculiares, nada mais provável que cada pessoa chegue a resultados de reflexão muito próprios e essencialmente diferentes das outras. Para ser livre a pessoa terá de se governar por suas conclusões, num processo de permanentes mudanças, posto que novas experiências determinam alterações em nossas convicções. Dessa forma, uma sociedade que contenha seres livres terá de se acostumar ao respeito pelas diferenças individuais, dado que definitivamente não somos todos iguais. Pessoas livres são antes de tudo respeitadoras do modo de ser e de pensar das outras. De nada adianta certas pessoas fazerem um discurso louvador da liberdade se o próprio conteúdo de suas falas deixa absolutamente claro o desrespeito – e até mesmo a irritação – pelas diferenças de opinião. Tais pessoas são liberais desde que todo o mundo concorde com seus pontos de vista, de modo que é mais que evidente que vivem uma grave contradição, regidas por uma idéia de superioridade através da qual consideram suas idéias mais brilhantes e mais justas. E são essas pessoas, portadoras de forte tendência totalitária derivada de uma espécie de convicção messiânica (os escolhidos para salvar seus povos) que lhes confere uma significância toda especial, as que mais acreditam nos poderes repressores da sociedade, que passa a ser, portanto, o objeto de seu ódio. Sem perceber, acabam por superestimar tais poderes, o que na prática significa amedrontar as pessoas no sentido de que aquelas que tentarem ousar condutas não convencionais estariam mesmo sujeitas a fortes represálias, nas quais, diga-se de passagem, não acredito. Gostaria de reafirmar mais uma vez minha convicção de que atribuir à sociedade, à família e até mesmo às experiências traumáticas da infância poderes que elas não possuem, implica fazer o jogo da ordem social estabelecida, uma vez que serve para acovardar as pessoas – especialmente os jovens – em sua busca de soluções individuais mais consistentes, num espaço de liberdade que uma sociedade como a nossa é obrigada a deixar, ainda que contra sua vontade.

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texto de Flávio Gikovate
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quinta-feira, 14 de junho de 2007

Um Império embaixo dos nossos narizes e praticamente desconhecido pela maioria.

Esse texto foi produzido a partir de um vídeo-documentário, e leituras a parte, sobre os Incas, pra disciplina de América V da UFPE. O texto é interessante pra todos, inclusive curiosos e profissionais da área, visto que é uma sinopse do documentário, sem falar na importância que é conhecermos mais sobre a cultura a nossa volta e nos livrarmos um pouco do europocentrismo que cerca nossas instituições de ensino e nossos pré-conceitos do mundo e da arte. Essa primeira foto é das ruínas do que foi a arquitetura do império Inca de Machu-Picchu.

Os Incas estiveram mais concentrados na região da Cordilheira dos Andes, mais ou menos nas atuais regiões hoje ocupadas pelo Equador, Peru, norte do Chile, Oeste da Bolívia e noroeste da Argentina. Fundaram no século XIII a capital do império, Cuzco. Foram conquistados, dominados e dizimados pelos espanhóis no ano de 1532, fato que nos deve a perda de grande parte da cultura material do império, como pergaminhos e relacionados.
Entre os Incas, o imperador era considerado um deus. E pelo que se percebe em relação às construções, a sociedade era extremamente hierarquizada, e como em qualquer outra sociedade, tal fato coloca os líderes em vantagens administrativas e de controle e ordem sócio-moral.
A cidade de Machu Picchu foi descoberta em julho de 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham, e é considerada patrimônio Cultural da Humanidade. Está localizada a mais de 2000 metros de altitude sobre o nível do mar e rodeada por uma exuberante vegetação. A área dominada pelo Império Inca foi uma das mais extensas dentre todos os impérios conhecidos, o que dá a eles o título de o maior império pré-colombiano até hoje conhecido.
A organização dos Incas era piramidal, tendo o chefe supremo poderes divinos. Seus deuses eram os elementos naturais. Seu deus principal era o Sol, no qual se conclui como eles faziam da região onde habitavam uma bem-vinda adaptação psíquica às intempéries naturais. Também porque tinham uma organização econômica baseada na agricultura e dependiam destes elementos fundamentais – luz e água – para a fartura. Tinham profundo conhecimento de meteorologia e das estações do ano para saber a época apropriada para plantio e a colheita das várias espécies vegetais. Também eram muito hábeis na manipulação da cerâmica, tecidos e do ouro.

As construções arquitetônicas, apesar da austeridade em relação às dos Maias, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve, principalmente, ao fato de os espanhóis terem se empenhado em tentar destruir todos os vestígios possíveis da civilização, o que bem observa o narrador do documentário: “seria muita pretensão dos colonizadores conseguir destruir todo o legado cultural Inca”.
O que marcou a arquitetura Inca foi o trabalho com a rocha. Obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores Incas. Tais pedras eram constituídas de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina folha de papel. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas. Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas, o que nos deixa ainda mais curiosos sobre a inteligência desses povos, ainda mais em relação ao processo de terraceamento organizado para a agricultura, processo ainda hoje usado pelos descendentes indígenas para produção agrícola.
Também é incontestável a engenhosidade de certas construções como, por exemplo, os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.
O documentário também privilegia a análise da posição privilegiada de Macchu-Picchu, que permitiu a execução de profundos estudos científicos e muitos cultos religiosos, principalmente no que se refere ao sol. Talvez por isso, a cidade era considerada um verdadeiro santuário. De seu conjunto arquitetônico, formado por mais de 200 edifícios, o vídeo – e com razão, graças à explenderosidade da construção – dá ênfase ao Observatório Solar e a mais dois grandes templos: o Principal e o chamado das Três Janelas. No Observatório, encontra-se uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol e que servia como instrumento científico para as observações astronômicas e cálculos meteorológicos sobre a forma redonda do céu, que ajudavam a prever a época propícia para a colheita. Os conhecimentos de Geometria e Geografia adquiridos pelos cientistas incas foram provavelmente utilizados nas construções de cidades famosas como Macchu-Picchu e Cuzco – como a forma de um leopardo dada à cidade de Cuzco. Para o posicionamento de determinadas construções, como os prédios da cidadela de Macchu-Picchu, os Incas deveriam saber a exata localização dos pontos cardeais e saber o local exato do nascer e do pôr do Sol no horizonte nos dias de equinócios. Como eles poderiam sabê-lo? Talvez o tenham feito através de observações sistemáticas do movimento do sol no céu.

Já Cuzco encontra-se num vale de um rio, nos Andes do Peru, e está a mais de 3000 metros sobre o nível do mar. Pouco se conhece de Cuzco, anterior à conquista dos espanhóis. Dizem que foi fundada em torno dos séculos XI e XII d. C. segundo uma lenda proveniente da região do lago Titicaca. Cidade sagrada e capital do Império Inca, foi o centro do governo das quatro extensas regiões do fabuloso Império que chegou a abarcar grande parte do que é atualmente o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile. Em 1534, Francisco Pizarro fundou sobre a cidade de Cuzco uma cidade espanhola, que se construiu sobre o cimento Inca. Cuzco é um exemplo típico de fusão cultural, herdando monumentos arquitetônicos e obras de arte de valor incalculável. Curioso é o comentário de parte do documentário que mostra os espanhóis construindo sua arquitetura sobre a arquitetura Inca, e quando os terremotos aconteciam, toda a construção espanhola ia abaixo, enquanto a original permanecia intacta – isso mais especificamente em Cuzco.Em relação aos sacrifícios humanos, os vídeos deixam claro que tal fato era comumente executado. Estimativas de análises apontam essa ocorrência cultural como maneira de controlar o crescimento da população ou para simplesmente mostrar o poder de controle do soberano. Uma cena do documentário chama atenção ao mostrar uma refiguração do jogo de bola, onde o narrador do vídeo comenta que, às vezes, para acalmar a ira dos deuses, diversos sacrifícios ocorriam entre os jogos, e um em especial: o do time perdedor ser inteiro sacrificado no fim da partida. Tal analise pode chocar a sociedade atual, se tal fato não for interpretado dentro de sua época e de sua cultura. Se analisarmos com afinco, hoje temos muitas formas de nos sacrificar dia-a-dia, a única diferença é que são formas consideradas legais e/ou disfarçadas o suficiente para que não as percebamos.

É uma pena que civilizações de culturas tão ricas tenham sido destruídas. Em muitos campos como agricultura, medicina e astronomia, os conhecimentos dos Incas eram superiores aos dos europeus. Não se pode fazer idéia do que se perdeu em termos de tratados científicos, organização sócio-política, agricultura, artes e arquitetura, com a destruição quase total desses povos.

Homofobia e Direitos Humanos no Brasil

Homofobia e Direitos Humanos no Brasil A sociedade na qual vivemos tem por legítimo o heterossexual, dividindo o feminino do masculino. Porém sabe-se que as pessoas assumem comportamentos dos dois gêneros, existindo uma multiplicidade tanto de gênero quanto biológica, como por exemplo, os hermafroditas. Quando essa complexidade é negada e o medo e o desprezo por ela é colocado, se caracteriza um quadro de homofobia. Esta é fruto de uma historicidade e pode ser explicada como “terror” à perda do gênero, de ser visto como homem ou mulher em si. Historicamente as teorias de gênero tentaram explicar esse tema, que primeiramente surgiu com as Teorias essencialistas, aquelas teorias que percebem as diferenças de gênero em termos de disposições naturais, como parte da natureza ou essência biológica dos indivíduos. O primeiro teórico que a discutiu foi Freud, para ele as diferenças anatômicas entre homens e mulheres determinava o desenvolvimento de papéis de gênero masculinos e femininos. Mais tarde surgiu a Sociobiologia e a Psicologia Evolutiva, segundo essas correntes do essencialismo os seres humanos instintivamente agem no sentido de garantir que seus genes sejam passados para gerações futuras. No entanto, homens e mulheres desenvolvem estratégias diferentes para alcançar este objetivo. Psicólogos evolucionistas argumentam que, já que os homens precisam competir entre si para ter acesso sexual às mulheres, eles desenvolvem disposições competitivas e agressivas que podem incluir a violência física. As mulheres, por sua vez, tendem a se interessar por homens com dinheiro. Estas seriam características universais que contribuiriam para a sobrevivência da espécie. Em crítica ao essencialismo surgiram as Teorias Construtivistas que percebem as diferenças de gênero como um reflexo das diferentes posições sociais ocupadas por homens e mulheres. O gênero é então percebido como “construído” pela cultura e pela estrutura social. Assim homens e mulheres são socializados em papéis de gênero através da família, professores e meios de comunicação de massa. Tal socialização não é um processo passivo, o gênero é construído, não apenas dado. As interações entre homens e mulheres se baseiam nos papéis de gênero que as crianças aprendem e cristalizam sob a forma de uma ideologia de gênero (conjuntos de idéias inter-relacionadas acerca do que constitui papéis e comportamentos masculinos e femininos). Portanto, historicamente a homossexualidade foi vista em nossa sociedade como algo anormal, uma anomalia, sendo mesmo descrito, por muito tempo, na medicina como doença, o homossexualismo, visto que o sufixo ‘ismo’ indica enfermidade. Atualmente, para a sociedade brasileira de psicologia a homossexualidade nasce entre a adolescência, sem necessidade de haver relações sexuais, e é imutável. Relacionando esses aspectos com a visão do sociólogo francês Bourdieu, pode-se questionar por que essa humilhação e incômodo em relação aos homossexuais, tais atitudes provêm da idéia de virilidade do homem, visto como ser superior, e o homossexual masculino como alguém que quer ser mulher, vista como um ser fraco e submisso. Assim, não é socialmente aceita a homossexualidade masculina, por ser tomada como agressão ao outro, ao gênero, enquanto que a homossexualidade feminina é mais bem aceita por ser vista como um relacionamento entre seres iguais, inferiores. Segundo pesquisa da UNESCO, para os meninos a violência contra homossexuais, vista como transgressão, está em sexto lugar, depois do uso de drogas, andar armado e etc, enquanto que para as meninas essa violência está em terceiro lugar. Isto se dá pelo incômodo maior por parte dos homens, relacionado ao homossexualismo. O projeto de lei 11, da então deputada Marta Suplicy é um marco importante do movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) pela luta do contrato civil na união homoafetiva. Porém projetos como os do Rio de Janeiro que visam ajudar ONGS (religiosas ou não) a tentar transformar gays em heterossexuais só reafirmam a visão da homossexualidade como transitória, que como doença necessita de um remédio. A homofobia no Brasil está muito relacionada aos casos de violência, os estudos não dão conta do não explícito, as “brincadeiras” e piadas não são atingidas. A liberalização sexual não alcançou às práticas homossexuais, portanto os homossexuais são vistos como aparte da sociedade e do que é moralmente aceito. O homossexual não é considerado um cidadão. O movimento gay surgiu muito timidamente no século XIX, tomando força depois da 2º Guerra Mundial, onde foram mortos milhares deles, identificados pelo símbolo do triângulo rosa. Nos campos de concentração da Alemanha nazista, os prisioneiros homossexuais eram obrigados a usar este triangulo rosa pregado em suas roupas.


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texto de Camilla Rocha Guimarães.


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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Pequeno Manifesto Contra as Tradições

É engraçado como é tão fácil sorrir por mentiras e chorar por verdades! É desconcertantemente desconfortável estar sozinho, e ao mesmo tempo num mundo tão vasto, conectado a bilhões de pessoas que supostamente poderiam ser iguais a você. E o pior: você aprende que são. E ainda mais desalentador é saber que está tudo aí pra você, por você, e é aí que você dá tudo de si e encontra a sociedade em sua crise particular de mal amada pra lhe receber de braços abertos e pedras nas mãos. A sociedade construiu o seu amor. A sociedade construiu o seu tesão. A sociedade construiu suas necessidades e abominou o que poderia ser tão mais útil e mais belo em você ou em qualquer outro mesmo: abandonou seus sentimentos em troca de qualquer coisa, em troca da velocidade, da prática, do transistor. Por mais pífia que seja sua mediocridade, por mais necessárias que sejam suas necessidades, você sempre vai ser o pior, o feio, o burro, o atormentado, o louco, o bêbado, o ladrão. Culpado. Por mais social que você seja e por mais que você deixe o seu pseudo-amor lhe corroer as entranhas, você ainda vai ser o pior, o feio, o burro, o atormentado, o louco, o bêbado, o ladrão, só que dessa vez fingindo ser inocente. A gente corre atrás de tantas máscaras, pra no fim, acabar por não poder usar nenhuma, ou todas ao mesmo tempo. Se tenho o dever usar as máscaras ideais, contudo não posso escolher ao meu modo, ninguém vai poder me criticar quando eu usá-las todas ao mesmo tempo no escuro. Se tenho que trocar tanto de ‘eus’ em apenas uma vida, ninguém vai poder me condenar quando eu quiser usar meu ‘eu y’ na situação ‘eu x’. Se eu tenho que viver de acordo com tradições criadas para esse eu se sentir um alguém, se eu tenho que viver com religiões, normas, criações científicas, moral familiar paternalista superior, que me dizem sempre o que e como tenho que fazer, vou estar coberto pela lei ao querer usar as máscaras que melhor me couberem no meu dia de folga. Não vou? Estou certo que sim. Se tivéssemos o mínimo de respeito pelo respeito, talvez se perceberia que, se eu quero usar a máscara do assassino, eu vou poder usar a máscara do assassino, e a minha platéia pode ser você. Engraçado é que quem mais sofre com isso é quem mais contribui pra essa formação. Mais interessante é saber que a sogra tem que ser a chata da tradição familiar. Eu, que sempre pensei em tratar todos com piedade e amor, percebi que o considerado mais alto grau da sociedade – a high society, e porque não ser chique, não é!? – é o lado que mais sustenta a hipocrisia da cristalização dos papeis dessa novela de carne podre e osso mole. Estamos presos ao que dizem pra você que é melhor, ao que fazem por você sem sua escolha, no que pisam pra você comer, e enquanto isso, cientistas sociais revolucionários continuam a usar saltos de couro de jacaré, e enquanto isso, líderes comunistas continuam usando seus nikes, que matam 3 crianças de desnutrição por cada 10 pares produzidos. Enquanto nossos amigos continuarem mandando manifestos-testemunhos de amizade pra orkuts, enquanto tivermos que amar nossas mães e respeitá-las de acordo com a moral paternalista do pai, filho e espírito santo, talvez enquanto chover água do céu e das veias sangue, o suicídio seja legal em circunstâncias que fazem do sangue um algo lavável. Agora, do chão some, mas da sua mente, nem sempre, e quem apanha nunca esquece. É, estamos presos. E enquanto não nos libertarmos da nossa maior prisão, a prisão do ‘nós mesmos’ dentro dessas banais tradições, sejam festivas ou não, – vá lá, todo mundo gosta de um champanhe no reveillon, porque foi ensinado a você que é bom e é assim que deve ser – estaremos presos ao que mais estimávamos: ao amor verdadeiro das incertezas, que leva e trás do moinho da vida, a felicidade que enche os potes do coração. Cada gomo da corrente é uma vida que se perde ao mantermos essa falsa moral intacta. Então, eu choro, porque ainda amo. E isso é péssimo. Mas as flores ainda nascem. Por isso continuam os terremotos.

(esse texto é de outubro de 2006).

Em protesto singelo ao encontro dos G-8 na Alemanha

Pois é, foi entre meio a essas manifestações e à influência dessa belíssima fotografia, que me vieram à mente e ao espírito algumas palavras na tentativa de forma de rima. Daí, resolvi colocar aqui, em homenagem aos que se movimentaram por lá, alguma mínima movimentação por aqui.
=o)

Blockades - o primeiro dia

Abrace bombas atômicas
e atire as lanças do desejo
em carrinhos de compras
dentro de mercados cheios

Dancemos valsa ao vento
no asfalto quente do centro
enquanto ligas de aço
envolvem os químicos
raios abaixo

Instale câmeras guias
num parque de árvores frias

Lance papéis sobre o chão
escritos em forma borrão
letras miúdas de ler
nada importante pra ver

Estão cozendo trenas,
métricas pro jantar
ao molho pardo
da falsa vontade de amar

não, não, criança,
pare de sonhar,
enquanto não fotografada
ao chorar
Blockades - o último dia

Então lancemos
buquês de flores,
em vez de pedras,
nos atiradores

Sopre bolinhas
de sabão
contra os escudos
desse ódio vão

que os segundos,
com medo,
cansam

enquanto outros,
com os loucos,
dançam.

Amor Livre

É, concordo com o que diz "ser livre e permitir que o outro seja livre é dolorido para seres formados numa sociedade repressora como a nossa". Mas acho que alguém tem que dar o primeiro passo pras coisas acontecerem.
Sentir. Viver. Olhar pra frente. Olhar em volta. Abraçar. Carinho. Tudo isso é amor. Amor que faz e desfaz da gente pessoas e sentimentos exdruxulamente corpulentos por ter! ter! ter!
Pra que isso? A teoria (nem) sempre é fácil de ser percebida! A prática, menos ainda. Mas e as próximas gerações? O que viveram as pessoas que nos antecederam? Por quê precisar se rotular de acordo com um molde que quase metade da população do mundo crê? E a outra metade? Por que seguir esse etnocentrismo barato desse pensamento ocidental judaico-cristão em relação à vida e aos sentimentos? Existem caminhos perceptivelmente mais claros que nos levam muito mais além quando se têm relações com pessoas diversas! A interação é a alma do mundo! O amor reícproco e X-gonal!
Seja o que for, o que rotularem ou nomencalturarem, as pessoas estão empregnadas de sentimentos! Bichos que sentem algo que não é tão fácil de interpretar, mas os sentimentos tb falam! É assim com a arte! É assim com a gente! Alguém tem que dar o primeiro passo e é isso o que eu acho mais válido. Tudo é uma questão de costume e adaptação. Se é difícil, é porque a gente torna difícil. As coisas simplesmente são. É só sentir. É entrar e deixar a porta aberta.