quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sobre o método da experimentação Quântica na análise das Ciências Sociais



Em brevíssimas palavras, a teoria quântica nos mostra que é partir do estudo do átomo que a ciência passa a investigar um mundo extremamente pequeno – e infinito – sendo ele imperceptível aos sentidos.

Certo, mas e o que tem a ver teoria quântica com interpretação dos fatos históricos?

A idéia da descontinuidade, que marca esse espaço-tempo de análise, altera os conceitos científicos e o modo de pensar como um todo.

Partindo da idéia lúdica de que as ciências são ciclicamente evolutivas, seguindo do centro para o extremo do espiral, não há como considerar imutável e/ou linear uma ciência, até porque também, além das mudanças, sempre há a necessidade de usufruir-se do que já foi desenvolvido, com a finalidade de se dar continuidade ao processo.

É nesse sentido que encontramos um paralelo sensacional entre a interpretação dos fatos históricos, enveredando pelo caminho interpretativo quântico.

Quando digo que é partir do estudo do átomo que a ciência passa a investigar um mundo extremamente pequeno e infinito, quero tentar mostrar que é fundamental à história se averiguar interpretativamente, partindo, irrestritamente, dos espaços menores aos maiores.

Vamos por partes.




Em relação à historiografia, a chamada Escola dos Annales se constituiu um movimento que se destacou por incorporar métodos analíticos das Ciências Sociais à História, considerando a própria História uma Ciência Social.

Nesse sentido, percebi que a História Cultural, especialmente a chamada Nova História Cultural, é um campo capaz de livrar o historiador de seus velhos apegos e abrir-lhe as portas para uma nova forma de fazer história.

Em sua definição comum, a partir da decada de 1970, freqüentemente são combinadas abordagens antropológicas às históricas ao olharmos às tradições da cultura popular e às interpretações culturais da própria experiência histórica. Esse método se sobrepõe – e se mescla ao mesmo tempo, em sua abordagem – ao movimento francês dessa história das mentalidades.

É comparada, por Peter Burke, à Antropologia, devido a seu caráter extremamente interdisciplinar, absorvendo contribuições da Antropologia, dos críticos literários, que adaptam os métodos de “leitura rigorosa” aplicado a textos não literários, documentos oficiais, textos rituais e textos imagéticos à interpretação oficial dativa organizacional Histórica.

A famosa trilogia organizada em 1974 por Jacques Le Goff e Pierre Nora, intitulada “História: Novos Problemas, Novas Abordagens; Novos Objetos” amplia a noção de fontes a quaisquer vestígios deixados pelo homem e não só apenas a documentos escritos ou oficiais, ampliando as possibilidades metodológicas, incluindo importantes e fundamentais diálogos com essas ciências irmãs.

A partir disso, detectam-se as implicações dos muitos desdobramentos na esfera interpretativa da nova história que, longe de tomar como objeto preponderante só as interpretações dos expoentes filosóficos e as manifestações formais de cultura (como a arte e a literatura), demonstram sua estima pelas práticas populares ou pelas manifestações das massas inominadas, expressas nos rituais religiosos, crenças, festas e resistências cotidianas ao poder instituído.
No terreno da história social e política, foi o descontentamento com os modelos tradicionais que impulsionou a revisão de axiomas pautados por obnubilantes explicações globais.


Isso posto, à ficção, têm-se diversas linhas de análises que consideram a análise histórica a partir de um ponto de vista lúdico, não deixando de lado a importância da veracidade dos fatos. A micro-análise italiana (micro-história), a história cultural estadunidense, a história – já comentada – da mentalidade francesa, a história genealógica de Foucault – paralelamente às averiguações teóricas de Benjamin e Nietzsche – têm representações que deixam claro, na prática historiográfica a nova forma de analisar e escrever os fatos. Autores / pesquisadores como Carlo Ginzburg, Robert Danton, Natalie Zenon Davis, Clifford Geetz, o próprio Benjamin, Foucault, Volvelle, entre outros, trazem à luz da contemporaneidade o novo fazer histórico, como “O Queijo e os Vermes” de Ginzburg, o “Massacre dos Gatos” de Robert Danton, “O Retorno de Martin Garry” de Zenon Davis, “A Interpretação das Culturas” de Geetz, a “História da Loucura” de Foucault, são fatos consumados de representações que com muita competência fazem da história um caminho sinuoso de ladeiras mais que agradáveis de se subir de vagar e com cuidado, aproveitando cada passo ao máximo.

Desse modo, talvez a conjugação entre o poder e as representações venham a assinalar novos dispositivos de apreensão do saber histórico, sejam eles centrados no estudo do imaginário e/ou da simbologia política.


Direcionar a análise do texto pra o campo de visão que nos torna obrigados a analisar que, hoje, a construção de uma teoria que faça a unificação da teoria quântica e da teoria da relatividade em uma única teoria é o principal objetivo da maior parte da atividade dos físicos teóricos, e que várias idéias diferentes estão sendo ativamente desenvolvidas, faz perceber que "nos últimos dez anos, tem havido alguns desenvolvimentos notáveis, que nos levaram mais para perto desse objetivo. No entanto, ainda é verdade que ninguém conseguiu construir uma teoria que unifique a teoria quântica e a da relatividade, de forma que seja completamente satisfatória. Contudo, todo esse campo de análise nos faz aproveitar ao máximo essa discussão para a direcionarmos aonde nos interessa: a análise histórica e filosófica dos fatos” (Lee Smolin, 2004: P 7).

Por fim, não se deve furtar de proclamar que, os resultados dessa nova forma de constituir análise, foram e são plenamente satisfatórios. Ao superar os propósitos iniciais, a analogia entre o método quântico da física, da química e das ciências divalentes, refletiu nas ciências denominadas humanas exatamente na necessidade de uma crescente reformulação no nível de se enxergar o todo a partir das pequenas partes, de buscar a análise de dentro pra fora – o que também nos remete aos formais do pensamento oriental, seja ele místico em sua essência, ou não.


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As imagens foram tiradas de www.google.com.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Conselho Universitário debate expansão da UFPE

Segundo o Boletim de Notícias UFPE - Ascom/UFPE - uma publicação da assessoria de comunicação social da Universidade, em 22/11/2007, delimitou as metas do novo programa de expensão da universidade, do governo federal, parte da reforma universitária.

No País, o MEC vai garantir, por meio do Reuni, o investimento de R$ 7,2 bilhões, nos próximos cinco anos, em ações que visam à expansão da oferta da educação superior pública.

O programa, criado pelo Decreto nº. 6.096, de 24 de abril deste ano, tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para 90% (taxa equiparada unicamente as universidades do Japão em todo o mundo) e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para 18, ao final dos cinco anos.

A UFPE já está com a relação aluno/professor no patamar exigido.

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Espero que até lá, tudo isso realmente se concretize, de coração. Caso contrário, sei que meu eu não exitará em ter a máxima vontade de ajudar as várias pessoas que estarão revoltadas pela falha e demagogia do programa - e COM TODA A RAZÃO - a lançar as primeiras garrafas de coquerel molotov no gabinete do reitor.

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Para o esclarecimento de qualquer dúvida, os telefones da ASCOM, na universidade, são (81) 2126.8024/8025 - Fax: (81) 2126.8656. O e-mail é: acs-l@ufpe.br

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sábado, 17 de novembro de 2007

Entre o amor e a destruição

(Antes que você nem comece a ler por achar que eu sigo ou apologizo religiões A ou B, não se preocupe; não se perde tempo discutindo religião. É inútil. Usemos nosso tempo para conversar sobre elas. Mas não é disso que se trata o referido post).

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As Religiões são Caminhos diferentes, convergindo para um mesmo ponto quando são sinceras..
Que importância tem seguirmos estradas diferentes, desde que cheguemos ao mesmo objetivo?
Na verdade, há tantas religiões quanto forem os indivíduos.






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Preso e condenado em 1930, Gandhi iniciou a campanha da desobediência civil baseada nas idéias de Tolstoi e Rosseau. Chegou ainda, descrever a si mesmo como uma "espécie de anarquista" e planejou uma sociedade descentralizada, baseada em aldeias e comunas independentes. Por conseqüência desta campanha foi preso novamente.
Já em liberdade, assinou em 1931, com o vice-rei da Índia o Pacto de Delhi, pelo qual grande parte do serviço administrativo do país passava para as mãos dos nativos.



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Preso novamente em 1933, foi solto em 1934 devido ao seu longo jejum de protesto contra a maneira que vinham tratando os intocáveis. Após o jejum, Gandhi renunciou a liderança do Congresso Indiano e retirou-se para Sanagram.
Conseguindo a independência da sua pátria em 1946, depois de lutar durante 50 anos, dedicou-se a pacificação dos dois grupos religiosos - o Muçulmano e o Hindu - sendo meses depois assassinado quando dirigia-se a um comício de oração.
A morte de Gandhi nas mãos de Nathuram Vinayak Godse, um brâmane hindu que não aprovava a ação de Gandhi por ela favorecer a convivência e o entendimento entre muçulmanos e hindus. feriu e impressionou profundamente a Índia. O falecimento de Gandhi é mais do que uma tragédia nacional. Para milhões de indianos é o pensamento de um "Deus".




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"A não violência é o artigo número um de minha fé e é também o último artigo de meu credo."





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Gandhi compreendeu que o mundo contemporâneo caminha para um obvio: o amor ou a destruição. Ele confirmou a possibilidade de uma sociedade nova, mas condicionou sua vida à renovação interior do homem. E atuou neste sentido em seu vastíssimo e multiforme empenho,convencido de que um homem, mesmo só, com o tempo, pode mudar o mundo. Era o único, em campo civil, anunciando e repetindo, com incansável perseverança, e numa época de sofrimento, as verdades básicas da salvação: verdades "antigas como as montanhas", mas sempre carregadas de formidável poder revolucionário.




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Antes, e mais que liberdade política da Índia, preocupava-o a liberdade interior do homem, entendida como libertação do egoísmo, da avareza, do ódio, do medo, de todas as paixões que reduzem o espírito dos homens à escravidão e conduzem os povos a sangrentas lutas.


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texto e fotos com os créditos de http://www.viacapella.com.br/portal/especial.htm

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O REUNI e a Ocupação da Reitoria da UFPE


Secretários Regionais da SBPC no Sul e Sudeste manifestam-se contra o Reuni.
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Na visão de seis secretários regionais, o programa não contribui para aqualidade da Universidade Pública Brasileira.
Os Secretários Regionais da SBPC das regiões Sul e Sudeste, Maria Alice Lahorgue e Maíra Baumgarten (RS), Marcos Cesar Danhoni (PR), Maria Suely Soares (seccional Curitiba), Suzana Salem Vasconcelos e João Ernesto Carvalho (SP), reunidos em Porto Alegre nos dias 29 e 30 de outubro de 2007, discutiram as linhas gerais do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das Instituições Federais de Ensino Superior e manifestam seu estranhamento e preocupação diante da constatação de que tal programa representa a prática de políticas contidas na proposta de Reforma do Ensino Superior do Governo Federal, as quais ferem frontalmente a concepção e a autonomia da Universidade Brasileira e apresentam sérias implicações futuras em relação à qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão nestas instituições.
Em relação aos pontos mais relevantes, os secretários consideraram:

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- Ao condicionar a expansão e reestruturação ao cumprimento de metas, que são de competência acadêmica das Ifes, como a disposição de cursos e programas de ensino e a organização curricular, ele fere o Artigo 207 da Constituição Federal, que garante a Autonomia Universitária.
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- As duas metas às quais todos os Projetos do Reuni estão submetidos, ou seja, 90% de taxa de aprovação e a relação de 18 alunos por professor, são incompatíveis com a qualidade de ensino.

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- A elevação da relação aluno/professor, num contexto de ampliação do acesso ao ensino superior público é uma medida que vai concorrer na direção oposta da melhoria da taxa de conclusão (diplomação).

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- A inclusão de egressos do ensino médio, com maior carência de formação geral sólida, requer uma maior atenção didática/pedagó gica e, portanto, um atendimento diferenciado, que deve resultar em um número menor de alunos por professor.
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- O financiamento para o Reuni é muito tímido para os objetivos gerais esperados, com um custo médio para as novas vagas 50% menor em relação às vagas atuais, o que, ao final dos cinco anos de programa, vai resultar numa forte diminuição do investimento por aluno no ensino superior, que deve refletir negativamente na qualidade de ensino.
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Tudo isto, aliado à restrição da ampliação dos gastos com pessoal no serviço público federal, imposta pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), deve causar um aprofundamento da precarização do trabalho docente nas Ifes.
Desta forma, os secretários de finiram uma posição contrária ao Reuni, por entender que este Programa não contribui para a qualidade da Universidade Pública Brasileira.
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Não dá para entender essa decisão da gestão da UFPE. Por que essa pressa em aprovar um projeto cheio de pontos tão polêmicos? Por que não discutí-los. Flexibilizar o ensino para aprovar 90% do alunado só nos leva a deduzir que o que se pretende é mesmo desqualificar a universidade transformando-a em "escolão". Os que "podem" irão evadir-se e procurar centros de excelência, fortalecendo assim as universidades privadas. É preciso usar os meios de comunicação alternativos para que a sociedade se dê conta disso.

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Afinal, o que é REUNI?

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REUNI é uma sigla para o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, do Governo Federal. Foi instituído pelo decreto presidencial nº 6096 de 24/05/2007, sendo ainda regulado pelas portarias interministeriais 22/2007 e 224/2007, por um documento de Diretrizes Gerais e outro de Documento Complementar. Todo este material está disponível para consulta na internet, sendo facilmente achado através do Google.
O seu objetivo, segundo o art. 1º do decreto é: "criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais" com um acréscimo de 20% ao orçamento total destinado às Instituições. A adesão ao programa, que durará cinco anos a começar em 2008, é voluntária.
Ora, então qual o problema com o REUNI?De fato, os objetivos do REUNI são nobres, o problema são os meios que ele faz uso para atingir suas metas, meios que comprometem a qualidade do ensino superior. Em linhas gerais, o projeto almeja a elevação de uma média de conclusão de graduação para 90%, do aumento da relação aluno/professor (RAP) de 18 para 1, com um incremento orçamentário de R$ 2 bilhões (os 20%), tudo isso ao final de 5 anos.
E como isso comprometerá a qualidade do ensino?Vamos começar pela parte mais chamativa: o dinheiro. As Universidades, para aderirem ao REUNI, devem enviar ao MEC seus projetos de expansão e reestruturação - criação de novos cursos, abertura de mais vagas, etc. É para essa demanda crescente que vem este dinheiro. Aprovado seu projeto, a Universidade deverá ir alcançando metas gradualmente; da mesma forma, a liberação de verba também é gradual, ao fim dos 5 anos. Só que..."O atendimento dos planos é condicionado à capacidade orçamentária e operacional do Ministério da Educação." (decreto 6096, art. 3º, parágrafo 3º)Ou seja, a aprovação do projeto pelo MEC não quer dizer que é garantida a liberação do dinheiro pois há o risco desta verba não caber no orçamento do Ministério, que é feito anualmente. Além disso, se o REUNI inicia em 2008 e tem duração de 5 anos, é bom lembrar que o governo Lula só vai até 2010, quer dizer, a conta de 2 anos recairá sobre o governo seguinte! A pergunta que fica é: qual será a solução para uma Universidade que abrir 5 novos cursos e tiver, depois de passados 2 anos, sua verba cortada?Como se não bastasse isso, os 2 bilhões são para TODOS OS 5 ANOS DO PROGRAMA E PARA TODAS AS UNIVERSIDADES QUE ADERIREM. Isso significa que esse dinheiro não sofrerá reposição mesmo com as oscilações da inflação; ela será estática.
E quanto às metas de 18 estudantes para um professor e 90% de aprovação?Primeiramente, é importante que se deixe claro: entre todos os Países do mundo, apenas o Japão - país de contexto sócio-cultural bem distinto do nosso - possui uma taxa de diplomação nesse patamar. No Brasil, segundo dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais),órgão vinculado ao MEC, de 2005, a taxa de conclusão é em torno de 60% nas Universidades. Além disso, o cálculo dessa taxa, segundo as Diretrizes Gerais do REUNI, é feito dividindo-se o número de estudantes diplomados num determinado ano pelo número de alunos ingressantes 5 anos atrás. Mas, peraí... A maioria das graduações dura 4 anos!! É importante frisar que o REUNI não especifica como a Universidade deverá alcançar essa taxa. Corre-se o risco de uma maquiagem de números através dos já conhecidos malabarismos estatísticos que não condizem com a realidade ou da famosa aprovação continuada do aluno.Quanto ao cálculo da relação professor/aluno, esta também apresenta problemas, pois, segundo as Diretrizes Gerais, há um desconto dos professores da pós-graduação. Porém, muitos professores que atuam na pós-graduação também dão aulas na graduação. Isso foi feito para que as relações atuais não fossem muito distantes da relação 18 para 1 pretendida, afinal, assim se tem menos professores para dividir pela mesma quantidade de alunos. E os problemas não param por aí...Convém lembrar que segundo o artigo 107 da Constituição, as Universidades Federais estão baseadas no tripé indissociável ENSINO-PESQUISA-EXTENSÃO. Logo, dar aula não é a única ocupação de um professor universitário. Além do mais, este quocientenão significa que o professor vai atender a 18 alunos. As salas de aula têm muito mais discentes que esta quantidade, fora os alunos que são orientados na Iniciação Científica, nos Mestrados e Doutorados. Assim, elevar a razão professor/aluno significa elevar o número de estudantes, e, consequentemente, sobrecarregar ainda mais o professor.
O que acontece se as metas não forem atingidas?O acompanhamento das metas do REUNI é gradual, como também é gradual o repasse da verba. O MEC designará umna equipe técnica responsável por sua avaliação. Se a equipe julgar que as metas, naquele ano, não foram atingidas, a verba é cortada! A Universidade terá em mãos uma série de projetos a mais formulados pelos alunos extras para levar adiante, mas não terá o investimento para isso. Outro ponto que deve ser discutido é em relação à autonomia da Universidade, prevista no artigo 207, pois o REUNI pretende condicionar o recebimento de verba ao cumprimento dessas metas (duvidosas, aliás) estipuladas pelo governo.
Quem decide sobre a adesão ao REUNI?O Conselho Universitário, instância máxima de deliberação em uma Universidade. A questão é: o governo estipulou até 29 de outubro a adesão das Instituições que desejam iniciar no programa em 2008, só que aqui, na UFPE, as medidas estão sendo tomadas à revelia dos estudantes, impostas de cima para baixo! Você viu por aí alguma iniciativa da Reitoria em debater o REUNI com a comunidade? Em dizer do que se trata? O que você acha da implantação de um programa que afetará diretamente sua vida universitária sem ser consultado?
Em suma, o REUNI vem com um discurso de melhorias nas Universidades Federais, porém:* congela a verba por 5 anos, * não garante o recebimento desta verba, * estipula um aumento maior da estrutura da Universidade do que a verba pode cobrir, * estimula a superlotação de salas e sobrecarga de professores através do cumprimento de suas metas duvidosas* privilegia a quantidade de formandos ao invés da qualidade de ensino,* quebra o tripé ensino-pesquisa-extensão e a autonomia universitária.

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DIRECIOANDO AO PESSOAL DA OCUPAÇÃO DA UFPE
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Ao pessoal da ocupação, essa idéia de "todos à luta", "unidos trabalhadores", "companheiros", "revolução já!" e relacionados, os antigos ideais UJSistas, UJRistas, já não surte o mesmo efeito que outrora. O que temos que fazer é conseguir inserir no meio da opinião pública as questões que são postadas em pauta pelo REUNI, quais suas consequências e provar por A + B que "ninguém mais que os filhos da massa, como sempre, não terão a mínima chance de sairem bons profissionais da universidade com o dobro de alunado relativo ao que lá já se encontra, com a estrutura física atual da universidade e mostrar que esse finaciamento NUNCA vai acontecer como dizem as pautas regulamentais do projeto. Fazendo isso, aí sim conseguiremos algo realmente válido.

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A influência partidária no meio da ocupão EXISTE SIM, contudo os ocupantes apartidários e independetes são maioria (e infelizmente acabam sendo guiados pela minoria partidária de uma forma ou outra). E pra quem pensa que só tem 20 pessoas lá dentro, aconselho aparecer por lá e dar uma olhada no que se passa antes de comentar qualquer coisa, afinal, não existe mais crianças dentro desse espaço. Lá tem professores, pais de família e trabalhadores que faltam seus trabalhos pra irem pra ocupação.
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O pessoal da ocupação está OCUPANDO porque, no momento e a priori, essa é a única saída que consequencia em efeitos práticos a curto prazo. Contudo, todos conscientes políticos sabem que nenhuma ocupação é democrática, muito menos as atitudes da Comissão de Representação Acadêmica e muito menos a atitude da Reitoria. Se tivéssesmos o apoio de todos os que criticam o REUNI e DE TODOS OS QUE CRITICAM A OCUPAÇÃO - e mesmo aos que são a favor do REUNI irem e representarem o lado "a favor" da academia, que vc são os mais ausentes, por sinal - para organizarmos passetas e protestos pacíficos e/ou conversas e assembléias com um número representativo de pessoas, dentro e fora da universidade, NÃO HAVERIA NECESSIDADE ALGUMA DE OCUPAÇÃO. Ela está havendo porque a consciência política na universidade é mínima e porque é só assim que funcionam as manobras políticas.





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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Petrobras no Parque Nacional Yasuní




No dia 24 de outubro, o presidente do Equador, Rafael Correa, concedeu à Petrobrás uma licença ambiental para explorar petróleo no Bloco 31, localizado dentro do Parque Nacional Yasuní. O parque está localizado na região amazônica equatoriana, território ancestral dos í­ndios Waorani e dos povos em isolamento voluntário.
Cerca de 3 mil indí­genas Waorani, além de pelo menos mil índios Tagaeri e Taromenane, vivem na região e correm risco de perderem suas terras, recursos naturais e contraírem doenças trazidas pelos exploradores do petróleo, dentre outros males. Os impactos afetam também a área, que é considerada reserva da biosfera pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
O fato se insere no contexto da exploração mercenária do petróleo equatoriano,que vem ocorrendo há mais de 30 anos. Essa política, agora conduzida pelo Brasil, foi praticada por muitos anos por empresas estadunidenses e mantida em favor dos interesses capitalistas no país. Em 1981, o então presidente equatoriano Jaime Roldós Aguilera, eleito dois anos antes, foi morto em um acidente de avião após se recusar a cooperar com as propostas internacionais de exploraçao do petróleo. No mesmo ano, o recado foi extendido ao Panamá: o presidente Omar Torrijos, cujas políticas iam de encontro aos interesses dos EUA, morreu em outro acidente de avião.
Os movimentos sociais equatorianos estão mobilizados e realizaram manifestacões em frente à sede da presidência do paí­s, exigindo que o governo negue licença ambiental à Petrobrás. Uma campanha internacional pela negação dessa licença também está sendo organizada.


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