terça-feira, 17 de abril de 2012

O PROJETO NOVO RECIFE E A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO






A preservação do patrimônio histórico é a preservação da identidade de um povo, da História de sua cidade e de seu país, principalmente considerando as cidades mais velhas do Brasil. Sem História, obscurecemos nossa identidade ao tolhermos nossa constituição humana perceptivo-subjetiva em função de não entender o espaço que ocupamos. Sem nossa História, não nos entendemos. Se não nos entendemos, jamais entenderemos o outro, e então construímos uma sociedade doente, perplexa, violenta, logo, desigual e injusta. A preservação de um local não significa não alterá-lo, deixa-lo ao abandono. Pelo contrário: as várias correntes arqueológicas e históricas de preservação do patrimônio histórico e artístico entendem que preservar é manter a estrutura estética e arquitetônica originais, configuradas nas demandas sociais e culturais contemporâneas, sem desconfigurar características originais que exaltam e constroem nossa identidade histórica. Noutras palavras, não se derrubam construções com características vitais, que contam nossa história. Mas se reformam, reconfiguram-se, transformam-se esses locais. Transpõe-se a luz de outrora às luzes de agora, sem, contudo, ofuscar nossa identidade com a excessiva luz do desenvolvimento. Desenvolver é medrar pouco a pouco, favorecendo as configurações originais do espaço que subjaz a formação de uma identidade coletiva de um povo. Sem os monumentos e os prédios históricos, como os do Cais José Estelita, berço da modernidade do mundo e do sistema do comércio que caracterizou nossa cidade por tanto tempo, perdemos nossa identidade Histórica. Sem nossa identidade Histórica, desfalecemos nossa cultura, que é um dos pilares que faz com que Pernambuco seja considerado até hoje como um dos maiores estados brasileiros. Cada passo de transformação nesses espaços deve ser meticulosamente pensando em todas as suas instâncias e considerados todos os efeitos. É, no mínimo, humanamente desatencioso ofuscar um local que poderia ter uma alta qualidade de vida, um importante polo cultural, turístico e de negócios, com a valorização de seu patrimônio histórico e arquitetônico, a exemplo de cidades como Lisboa, Barcelona, Paris, Buenos Aires, até mesmo o Brooklyn. Dinheiro é necessário ao desenvolvimento, então sigamos os exemplos dessas cidades, que arrecadam uma montanha dele com o turismo, QUE ACONTECE JUSTAMENTE PELA PRESERVAÇÃO DE SEU PATRIMÔNIO, sustentando identidade e prosperidade. Projetos a curto-prazo dão imensos lucros financeiros. Projetos a longo-prazo preservam nossa História, mantém e restitui nossa identidade, as características originais de nossa cidade, mantém nossa perspectiva cultural aflorada, e consequentemente gera lucros exorbitantes, sem deixarmos de lado a classe A, mas também as classes B, C e D, e porque não a E, considerando que preservar a identidade faz com que nos entendamos e entendamos nosso espaço e o outro, consequentemente nos remete a repensar psicologicamente nossas ações com nosso espaço e com o outro. 

Abaixo seguem mais duas fotos de locais semelhantes que preservaram seus espaços originais, mantiveram a graça e a originalidade, além de gerarem grandes lucros: primeiro, o Brooklyn (nos EUA, berço do lucro e do desenvolvimento ofuscante). E segundo, Puerto Madero, em Buenos Aires, que mantiveram a originalidade das construções à frente dos edifícios contemporâneos. 






Um comentário:

Beatriz Melo disse...

Que ótimo, Fel!
Difundir esse pensamento e, por que não, educar os outros para que consigam visualizar as transformações urbanas como decisivas nos comportamentos dos citadinos. Se um espaço é benéfico para uma cidade, isso se reflete sim no comportamento das pessoas. Para o bem ou para o mal.
Sigamos o caminho do bem!
Parabéns pelo texto!