segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

É assim mesmo...



A ideia do que sempre fomos faz o que somos.

A ideia de que sempre fomos “para exportação”, em certa medida, ratifica o potencial dessa prática, naturalizando-a como coerência histórica e cultural.

A ideia de que a política é fatalista e corrompida, naturaliza nossas atitudes apáticas e desmedidas às transformações e participações políticas.

A ideia de que a sociedade é ignorante – ideia maciçamente difundida pela escola – naturaliza nossa descrença no saber e na cultura popular.

A ideia de que o inferno é quente como o sertão, o diabo é escuro e vermelho como o nativo e o negro, naturaliza nossa percepção de uma superioridade branca e de olhos azuis, industrial e urbana.

Assim criamos a ideia de uma “nação própria”: de muitos recursos, mas que não sabe lidar com eles; de muita burocracia e instituições que não funcionam como deveriam, mas que “devem” e “precisam” existir porque “se não fosse assim, como seria?”; com uma visão de que quem tem um diploma, ou um carro de mais de R$100.000, ou simplesmente é branco e se “veste bem” é superior a quem não se enquadra nesses termos; com a ideia de que o político é assim mesmo, o negro é assim mesmo, a mulher é assim mesmo, o homossexual é assim mesmo, o povo da rua é assim mesmo, tudo é sempre assim mesmo, assim mesmo, assim mesmo.

Um país mito, fundado num nacionalismo que é assim mesmo, naturalizado biologicamente por uma cultura colonialista.

Um comentário:

Anônimo disse...

cinco bombas atômicas, em cima do meu cérebro