terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Absurdo Banquete do Comedor de Amor

Diálogo 12 - Ressonância






- Gumm... Tá-CUM!


- Gumm... Tá-CUM!


- Ouve isso?


- Paradas cárdio-vazias
de sons estrios
preâmbulos a sós-nâmbulos loucos insandecidos
por sentimentos moucos de cosméticos
cósmicos mistos, antidepressivos


- Vidas intensas fúrias sem nexo
de letras miúdas sorridas por dentro
trabalham por rezes em vez de sentir


- Às cores primárias
da cozinha à sala
e de cada cor que se pensa ter em cada
grão-semente vívida de felicidade da busca
que forma a primeira para se misturar
às terceiras antes de cair

sozinha, de cara,

no

lixo.



- Escuta a cítara!

- Escuta a semente se abrindo.

- O silêncio.


- Os sentidos são os terceiros primeiros
mínimos desejos crus despidos de
qualquer ordem
ou jeito


- É gente livre de toda a cor
livre dentro de um quadrado
livre da concórdia quando a discórdia vem
tudo de dentro da mesma possibilidade de ação


- Então grita!
Grita de dentro desse calabouço
intestino-institucional de si mesmo
na tentativa de se livrar desse moribundo
doente
de liberdade.


- É como querer água num oásis de areia
e ter que esperar chover pra poder beber


- Sabendo que a chuva depende
de si mesma
e do sol.


- Que no meu caso é uma mente
e um coração.


- Já sei: sensação de busca por um vazio?


- É, mais ou menos; sensação de busca NO vazio.


- ¬¬


- E tem diferença?


- Quando você é o propulsor da prisão de si mesmo
no outro e do outro em si mesmo,
tudo faz e tem diferença.


- Você conhece o território, mas não o RE-conhece mais.

- É porque ele nunca foi meu.




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Diálogo 12


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Absurdo Banquete do Comedor de Amor



Diálogo 23: Átema, por Encanto






- Sumir em mim, solta daí.

- Sumir em si, solto daqui.

- Eu não sou daqui, e de lugar nenhum...

- Ela falou antes de dormir:

- "Estou de olhos fechados, solta no universo... Não penso mais...

- Sinto".



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Diálogo 23.


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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Absurdo Banquete do Comedor de Amor


Diálogo 04: Pausa de Mil Compassos




- Às vezes é necessário parar de cantar pra poder observar a música de fora.

- Condição pra incomplementariedade.

- É. Só vejo racionalidade extrema em não abraçar o invisível com a música.

- É como se às vezes fosse necessário parar de viver pra poder observar a vida de fora.

- Suicídio?

- Não que eu queira.

- Há!

- Afinal, viver intensamente é realmente necessário?

- Tu agüenta?

- Música é que nem Vida: Ou você canta, ou não canta.

- E o instrumentista?

- Se instrumentista, canta com o toque.

- Um toque-canto, como as andorinhas que gritam nos fios tensos por falta de uma clave de Sol.


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Diálogo 04

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Absurdo Banquete do Comedor de Amor




Diálogo 69: Liberdade por Conveniência





(...)


- Culpa? Ah não. Absurdo!


- Somos um espelho por dia, entre coração e razão!


- Somos busca de captação embriagada. Ensandecidos por vida. Inseparáveis da vontade que
transparece, bem ou mal, em DEFESA DA liberdade (do PODER FAZER) E DA independência (do PODER NÃO FAZER).


- Somos busca da satisfação pelos muitos sonhos, lados, cores e tons, rumo à complicada MULTIPLICAÇÃO do desejo de vontade de potência sobrevivente quente na soberania do VIGOR DA ESSÊNCIA dos desorientados, confusos e tumultuados...


- Dionisíacos!!!!!


- ...ciclos VITAIS HUMANOS.


- Eu sou. Você é.


- Todos são?


- Basta perceber o quão saudável é a despossessão, pra viver bem com isso.


- Amor é vida, reciprocamente estão aí pra serem vividamente devorados pelas explosões interiores e exteriores.


(...)


Diálogo 69




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Diálogo 13 - Liberdade da Desesperada Calma





(...)


- Complementariedade?


- ContempoRARIEDADE!


- O silêncio.


- É. Foi a primeira coisa que existiu. Por isso é o que há de mais completo.


- Hum...


- E se ainda não for suficiente?


- Então o cio e o ócio serão.


(...)



Diálogo 13


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Diálogo 03 - Liberdade de Busca







(...)




- Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.



- É. Agir! Eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está EM TER êxito, e não em TER CONDIÇÕES DE êxito.



- Grande Pessoa!



- Já dizia que é o tempo da travessia!



- Se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.




(...)





Diálogo 03




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Imagens de:
www.google.com/liberdade






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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Discurso da Inclusão



“Inclusão social” e “educação inclusiva” são expressões que ganharam importância no discurso de diferentes correntes político-ideológicas nos últimos anos. Debates com tais finalidades têm focalizado as chamadas “minorias” ou “grupos excluídos” que, juntamente com os referidos “deficientes” ou “especiais” (me perdoem pelo termo, eu proporia “reflexivo-diferenciais”, mas infelizmente são esses os usados), numericamente representam grande parte da população mundial. É exatamente um diagnóstico de produção de “exclusão social” que tem justificado a necessidade de se propor políticas que contemplem uma inclusão a partir da reorganização estrutural e conseqüentemente social.

É válido se observar a existência de toda uma estrutura que faz da proposta essencial do termo “inclusão” uma farsa, já se supondo que “se há uma necessidade de inclusão, haverá sempre propensão à exclusão, afinal, os termos não se anulam em prática”, sendo assim, fato, que sempre haverá excluídos. Essa idéia se percebe quando que em cada proposta de inclusão se conseqüência em nova exclusão, de forma a manter uma promoção do equilíbrio “natural” proposto pela ordem organizacional do que chamo de “sistema das necessidades”, baseando felicidade e liberdade em mera prática potencial de consumo, seja estético – que não deixa de ter sua importância, claro, mas até certo ponto – ou de auto-afirmação egocêntrica em detrimento à inferiorização do outro.

Pierre Bourdieu e Louis Althusser já propunham que a estrutura escolar é mera reprodução do modelo de sistema vigente, sendo a Escola o maior ratificador e propagador das diferenças sociais e da marginalização. Essas diferenças se manifestam em muito no cotidiano pós-moderno das relações humano-individualistas, quando se percebe a tolerância (que, de acordo com as análises sociológicas de Zygmunt Bauman, direciona à indiferença e à apatia, castrando o respeito e o conhecimento pela diversidade) em lugar da solidariedade (que, nesse caso, proporia acolhimento, reconhecimento e respeito à diversidade como fundamental nas relações sociais). Conclusões dessa espécie acerca dessas idéias mostram que há mais do que uma necessidade de re-educação; só haverá possibilidade de re-educação numa re-organização teórico-institucional.

Assim como que nos modelos de inteligências múltiplas de Howard Gardner, que exalta apenas uma das possíveis inteligências desenvolvíveis pela capacidade cognitiva humana (geralmente o de interesse comum à sustentação do modelo tecnológico-industrial, deixando os outros modelos de desenvolvimento cognitivo sem espaço para desenvolvimento), a existência de uma práxis da “inclusão educacional” será impossível enquanto se mantiver intacto o modelo tradicional institucional padronizado da “Escola” – que aprisiona a liberdade das possibilidades de expansão do desenvolvimento da cognição – sendo esse um modelo baseado numa fundamentação teórica sócio-relacional que, por si só, já é mais excludente que inclusiva, mantendo a maioria da população na idéia de “incluída”, graças à internalização de necessidades majoritariamente fúteis, na busca por um futuro “promissor”, porém desconhecido.
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Imagem: FEE - Fórum de Educação Especial
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