domingo, 15 de novembro de 2009

Grupo Dinamarquês SUPERFLEX em temporada na Fundaj Derby



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A Coordenação de Artes Visuais da Diretoria de Cultura da Fundaj traz para o Recife o grupo dinamarquês Superflex, para apresentar na Galeria Vicente do Rego Monteiro os filmes Burning Car / Carro em Chamas (2008, 11min) e Flooded McDonald’s / McDonald’s Inundada (2009, 20min). O primeiro filme somente foi visto, no Brasil, na cidade de São Paulo. O segundo é inédito no país. As exposições ficam em cartaz a partir de 10 de novembro até 20 de dezembro.

O grupo dinamarquês SUPERFLEX foi criado em 1993 e é formado pelos artistas Bjornstjerne Reuter Christiansen (1969), Jakob Fenger (1968) e Rasmus Nielsen (1969), todos residentes em Copenhague. O grupo tem se destacado por realizar trabalhos artísticos que questionam estruturas assentadas de poder, sem por isso deixar-se reduzir à mera ilustração de temas políticos ou econômicos. Suas instalações, filmes e projetos de natureza diversa tem sido vistas em exposições individuais e coletivas em partes diversas do mundo, havendo participado, no Brasil, da 27ª Bienal de São Paulo, em 2006.

Burning Car / Carro em Chamas exibe literalmente o que seu título sugere: um carro incendiando até não sobrarem dele mais que ferros retorcidos e cinzas. Filmado no contexto dos recentes distúrbios na França relacionados à cobrança por melhores condições de empregabilidade para os jovens franceces e, em particular, para aqueles cuja origem (imediata ou remota) são os países que foram no passado colonizados pela França, o filme é, na verdade, metáfora de muitos outros conflitos, e índice do que ocorre em muitos outros lugares. De modo sintético e plástico, evoca questões como o desemprego, o racismo, a exclusão social e a falta de perspectiva de vida mesmo para parcela dos empregados, bem como a violência, o medo e a hipocriasia que as cercam, seja em Paris, Copenhague, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador ou no Recife.

Flooded McDonald’s / McDonald’s Inundada exibe, da mesma forma, o que seu título indica: uma lanchonete da McDonald’s sendo progressivamente alagada pela água que a invade não se sabe de onde, ao ponto de ficar totalmente submersa. Aqui, questões como globalização, homogeneização de hábitos culturais (em particular, alimentares), saúde pública, responsabilidades e efeitos do aquecimento global, controle midiático de gostos e do lazer, entre tantos outros temas são evocados por imagens que refazem e re-significam a experiência de frequentar qualquer uma das inúmeras lojas que integram a cadeia de lanchonetes norte-americana.

A exposição do SUPERFLEX dá início a um novo programa de ações da Coordenação de Artes Visuais da Diretoria de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco, chamado
POLÍTICA DA ARTE.
Esse programa tem como pressuposto o caráter ambíguo que a arte possui desde que se viu liberta de sua função de meramente representar o mundo: Por um lado, a arte é aquilo que interrompe as coordenadas usuais da experiência sensorial. Por outro lado, e justamente por possuir essa potência de desconcerto, a arte é capaz de reconfigurar os temas e as atitudes passíveis de serem inscritas nos espaços comuns de existência. Nesse sentido preciso, é mesmo impossível separar a estética da política. É o imbricamento dessas duas dimensões que assegura, simultaneamente, o lugar único da arte na organização simbólica da vida e sua capacidade de esclarecer e de reinventar as formas em que o mundo se estrutura.

A eleição da tensa relação entre estética e política como princípio organizador do projeto se justifica por duas razões. Em primeiro lugar, por estar-se vivendo hoje em um mundo de conflitos diversos onde paradigmas de sociabilidade são o tempo inteiro questionados, e onde a arte com frequência crescente emerge como meio de apreensão e de simultânea reinvenção da realidade. Em segundo lugar, por esse movimento de aproximação entre estética e política ter sido tão extenso nas duas últimas décadas que se faz necessário novamente destacar a singularidade da arte em relação ao campo da cultura, por vezes confundidos ao ponto da indistinção.
O projeto tem duração prevista de três anos e compreenderá dez exposições na Galeria Vicente do Rego Monteiro, com ênfase na produção em vídeo – mídia em que algumas das mais interessantes aproximações entre arte e política tem sido feitas – e em atividades reflexivas. Tais atividades serão definidas a partir das questões que os próprios trabalhos expostos colocam, e incluirão ações voltadas ao acolhimento de professores e estudantes, debates com públicos diversos, exibições de filmes correlatos e edição de textos.
Para a exposição do SUPERFLEX, a primeira sala da Galeria Vicente do Rego Monteiro está transformada em espaço de convívio e debate, com mesas, bancos e material de consulta (textos, imagens, estatísticas e informações variadas) que sugere conexões, direta ou indireta, com questões que os filmes projetados na segunda sala evocam, servindo assim de estímulo à reflexão para os que visitam a mostra.
Esse ambiente é também dedicado à realização de debates, abertos a todos os interessados, com convidados de áreas diversas do conhecimento e com diferentes inserções na malha social (professores, pesquisadores, políticos, líderes comunitários, artistas, curadores, entre outros). A programação atualizada desses encontros pode ser encontrada em
www.fundaj.gov.br ao longo do período de realização da mostra. O uso desse espaço, propício à discussão e à troca, por professores de campos de conhecimento diversos que queiram transformá-lo em espaço alternativo para aulas ou seminários é estimulado, bastando para isso proceder-se a agendamento.
Como parte da programação discursiva que acompanha a mostra, haverá uma mesa-redonda reunindo os críticos e curadores Luis Camillo Osório (professor da PUC-RJ e curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) e Jochen Volz (curador de Inhtotim e curador-adjunto da 53ª Bienal de Veneza, realizada em 2009). Os expositores discutirão aspectos da ambígua relação entre política e arte e, em particular, tratarão de questões suscitadas pela obra do SUPERFLEX. Moacir dos Anjos, coordenador da Coordenação de Artes Visuais da Diretoria de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco e curador do programa POLÍTICA DA ARTE, fará a mediação do evento.



Serviço:

SUPERFLEX
Burning Car / Carro em Chamas [10 a 29 de novembro]
Flooded McDonald’s / McDonald’s Inundada [1 a 20 de dezembro]
Galeria Vicente do Rego Monteiro
Terça a domingo, das 15h às 20h

Mesa-redonda
Sala Aloísio Magalhães
12 de dezembro, às 19h


Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, 609 - Derby
Agendamento para escolas e grupos: (81) 30736703.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sites que estimulam nossa consciência?















O Google lançou um novo site de busca na internet, chamado eco4planet, com a mesma tecnologia e qualidade de busca, mas muito mais sustentável.


As novidades:

A cada 50.000 consultas uma árvore será plantada, e fica disponível no portal o número de mudas atingido.

O fundo preto da tela, que a princípio gera estranhamento, gera uma economiza 20% da energia do monitor, além de ajudar a descansar os olhos.

Considerando que o Google realiza por dia mais de 2,55 bilhões de buscas com tempo médio suposto em 10 segundos por pesquisa e a proporção de monitores por tecnologia utilizada, um buscador de fundo preto geraria uma economia anual de mais de 7 Milhões de Kilowatts-hora!



Esse valor equivale à:



Mais de 63 milhões de televisores em cores desligados por 1 hora;
Mais de 77 milhões de geladeiras desligadas por 1 hora;
Mais de 175 milhões de lâmpadas desligadas por 1 hora;
Mais de 58 milhões de computadores desligados por 1 hora.
A iniciativa é nova, a contagem das árvores começou em agosto de 2009.




Esse é o link do navegador: http://www.eco4planet.com/pt/


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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Da arte intersubjetiva à intercorporeidade









Uma arte concreta não é uma arte feliz. É preciso manter a percepção perto da experiência, sem, no entanto, limitar-se ao empírico. Restituir cada experiência do ser e da natureza do ente, com o que foi e está marcado de anteriormente.

Essa percepção deve buscar a cifra anterior à atividade reflexiva. Logos do mundo estético, do mundo sensível, da imagem, deve ser unidade indivisa do corpo e das coisas. Unidade que desconhece ruptura entre sujeito e objeto.

A arte contemporânea deve criticar a produção estruturada numa filosofia subjetivista e numa ciência objetivista. Deve se desmembrar dessa visão humanista rasa .

Porque na filosofia subjetivista, o sujeito se apropria da realidade exterior. É cognoscente a ela, objetivando sua realidade criada na idéia (representação de, como quis Schopenhauer em O Mundo Como Vontade e Representação). O sujeito é heterogêneo à realidade de si, criada pela idéia em representação de suas necessidades para organização própria da vida em grupo.

E também porque a ciência objetivista outorga ao cognoscente o poder de recriar a relação da realidade com o próprio sujeito reduzindo essa realidade à fugalidade, numa guerra de conceitos prisionais e modeladores, primando por uma inconsciente infelicidade disfarçada de aparente satisfação.

Aqui reencontramos o velho tecnicismo liberal pós-Terceira Revolução Industrial. Está ai, permanente na construção cultural pós-moderna. É essa percepção que permeia a lógica cultural do sistema capitalista hoje (para um maior aprofundamento do assunto, indico Fredric Jameson em Pós-modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio).

Schopenhauer trata dessa questão em relação à construção do amor no sujeito em função de uma sentimentalidade não construída da racionalidade, mas sim já presente nas raízes do seres como necessidade fisiológica de reprodução somada à necessidade de afeto e atenção. Trata ontologicamente o termo amor (e toda sua carga filosófica).

Subjetivismo e objetivismo, idealismo e empirismo, metafísica e positivismo, são dicotomias que preservam a mesma fonte: a separação do sujeito do objeto, considerados como realidades heterogêneas, distintas, e que se apropriam de gêneros e bens. Tendem a reduzir seu oposto a uma aparência ilusória. Essas dicotomias são, portanto, as faces complementares de um engano comum e originário. A desagregação dos modos distintos desses modelos figurará a construção de uma imagem fetiche por fugaz.

E num é que essa separação é a origem das ciências e filosofias modernas. A dicotomia tudo é consciência ou tudo é objeto, reduz os acontecimentos objetivos para aquém do entendimento dos fenômenos, e não é essa a percepção necessária à arte contemporânea.

Essa relação da filosofia subjetivista, modulada com essa ciência objetivista, é o que Merleau-Ponty chama em seu livro Fenomenologia da Percepção de “pensamento de sobrevôo”.

Sua filosofia contemporânea se preocupa com a fusão dessas dicotomias: sujeito-objeto, fato-essência, ser-consciência, realidade-aparência, que já carregam em si, interpretações da realidade: experiência e sentido. E para fundamentar a relação experiência-sentido, busca pela natureza do ser.

Para esse objeto, corpo e mundo são unos, um “campo de presença” onde carregam todas as relações da vida perceptiva e do mundo sensível. O corpo guarda em si a essência da transcendência dentro de uma caixa ontológica, material, que através da empiricização do homem no mundo e do homem no homem, mantém as relações diretas do externo (mundo visual, da imagem, da representação) com a percepção e absroção desse externo pelo ente, relação de troca de energia provada, já lá na física moderna, que existe produzida pelos movimentos primitivos circulares dos átomos e dos astros. Essa percepção fenomenológica acrescenta a essa relação os movimentos primitivos dos fatos, das idéias, dos sentimentos.

Esteticamente falando, é o logos do mundo estético que torna possível essa intersubjetividade como intercorporeidade, que através da manifestação corporal na linguagem e da manifestação não conceitual da desfiguração, permite o surgimento do logos cultural
[1], do mundo humano da cultura e da história. É a beleza do ser a partir do ser-em-si, do ser-no-mundo, por si no todo.

O corpo, nessa relação, produz, de forma centrípeta (pois é o sujeito que sai da idéia e não a idéia que sai do sujeito) uma necessidade fisiológica de agradabilidade dentro de um parâmetro de vontade de representar sua necessidade, uma construção da imagem da realidade desejada.

A arte por si só, em seu conjunto, numa cíclica histórica de construção pessoal da história da própria arte, consiste em fazer com que os objetos estejam presentes sobre a condição expressa de não estarem lá. É como funciona hoje com a pintura ou com a fotografia. Querem transcender a materialidade pela experiencialização, sem a qual não existiriam, porque rumariam para um sentido sem o qual não seriam pintura ou imagem.

Essa percepção relacional da fenomenologia nos retorna à análise do selvagem, a partir das novas necessidades presentes na caixa modelar contemporânea. Volta ao ser, antes da ciência e da filosofia.


É uma percepção que se expõe em si própria – por ser nós e nossa – sem pretensões daqueles sistemas conceituais que fecham relações dicotômicas num círculo determinado de pressupostos e absolutos. É apresentação própria, sem compromisso de desconstrução do anterior, com conseqüente compromisso de interconexão com o ulterior.







[1] Não sendo a linguagem sua essência e obra perfeita. Pelo contrário. Por isso precisa de complementaridade, como o é a arte, por exemplo.




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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Diálogo Intranscendente ou Diafonia: diálogos e diferenças

Somos eternas possibilidades por que o futuro é uma probabilidade?

ou

O futuro é uma probabilidade por que somos eternas possibilidades?



- Talvez a resposta pra isso esteja em outra resposta, contida na diferença entre o artista e o filósofo.

- E onde está a diferença entre o artista e o filósofo?

- Está no caminho da busca.

- O filósofo pensa (e a práxis desse ato são os escritos filosóficos), descobrindo-se no devir raciocinista.

- O artista sente e faz (e a práxis desses atos são as múltiplas obras de arte – plásticas, música, poesia, arquitetura), descobrindo-se no trajeto da construção.

- Sem que um caminho negue o outro; sem que uma prática negue a outra; sem que as conseqüências se neguem, ambos - filósofos e artistas - sempre buscam possíveis soluções para os problemas da vida
com um único objetivo: oferecer felicidade necessária e suficiente pras pessoas.

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sábado, 28 de março de 2009

O Absurdo Banquete do Comedor de Amor

Diálogo 28 - Nas Entrelinhas dos Seres



- As entrelinhas que nos colocam passíveis de aprendizado, presentes no caminho entre a felicidade e o sofrimento, e até onde conseguimos nos adaptar nessa relação, sem nos cooptarmos ou nos suicidarmos.
- Aí é que me pergunto: cooptarmo-nos a quê? A quem? Suicidarmo-nos pra onde?

- Às vezes não atribuímos qualquer noção do quanto são úteis alguns infortúnios da nossa vida, na busca por respostas ao nosso ser-em-si.

- Certo que não há porque não se vangloriar do ócio, da vantagem de despender de uma vida proposta na inteiridade do conforto e da segurança. Mas é fato: qual caminho é mais interessante: o dos riscos, perigos e conflitos propostos ou a coerente e confortadamente satisfatória, num sentido amplo?

- Pode até parecer uma proposta de discussão neoliberalizante, de aceitamento das circunstâncias propostas pelo capitalismo, e blá, blá, blá. Mas em essência, seja no capitalismo, no comunismo ou em qualquer das terceiras ou diversas vias solucionais, essa discussão sempre será pertinente, afinal, qualquer desses caminhos será trilhado e construído por seres humanos, todos sempre passíveis de erros e enganos, relativizados.

- O fato é que os sabores das conquistas são muito diferentes quando a gente as alcança depois de passar por dificuldades extremas. O segredo todo está em não confundir intensidade (intensamente) com inteiridade (inteiramente).

- Não há possibilidade de sermos inteiros e/ou termos inteiro; nem os sujeitos, nem os objetos. Por isso também o ciúme se torna obstáculo inútil na nossa relação.

- Então, nessas relações ditas sociais existem espaços mútuos entre os seres. Espaços que chamo de alimite da liberdade. E eles devem ser observados, respeitados, a fim de se manter uma mínima organização possível do espaço-tempo entre os humanos.




- O exemplo de escalar durante horas a fio uma montanha tão mais íngreme do que se imaginava ser é uma parábola perfeita pra tal análise. Necessita-se de velocidade específica pra isso, velocidade tal que é a própria inclinação da montanha que impõe. Mas depois de toda a dificuldade, de se ater aos perigos propostos pela ação de subir, finalmente, quando se chega ao topo, percebemos quão melhor é o desfruto da vista do todo possível. Lá está o melhor ar, a melhor sensação.

- Ou seja, o encontro de soluções num engrandecimento psicológico, de organização interior do sujeito a partir do exterior (dos fatos-objetos).

- Que é o que muitos também chamam de “amadurecimento”.

- Nesse contexto, a experiência da vida talvez seja até mais importante do que a própria vida. Ou melhor, vida = experiência dela mesma. Óbvio. A busca pelas explicações sobre a existência (e a busca mais do que quer que seja), a partir do que se sentiu vivendo, em grande medida vale muito mais do que qualquer teoria (não negando, claro, a importância desta em determinados sentidos).

- Ser prudente é coerente, mas só quando necessário. Não é tão coerente quando à nossa frente não há mais soluções possíveis já especificadas para cada caso.

- Não há nada baseado no sofrimento e na dor que ofusque “um qualquer algo” que se finaliza glorioso quando, antes de qualquer coisa, ama-se do fundo da alma o que se fez ou faz, a fim de se encontrar presente em si e no próximo, na conseqüência dos atos.

- As dificuldades são cotidianamente normais. Elas só se tornam difíceis quando não percebemos (ou não queremos perceber, momento esse muito mais delicado) o ponto específico entre aquilo que somos ou fazemos versus aquilo que idealizamos ser ou fazer.

- O segredo está em perceber o contexto e, quando não, momentaneamente reagir positivamente ao sofrimento e jamais negá-lo. Como uma vez disse Nietzsche, esse seria o segredo dos felizes.

- É coerente, quando se analisa, por exemplo, as pessoas que vivem intensamente sua vida sem perpassar o alimite-da-liberdade, e continua no ciclo, em direção ainda não desbravada. Esse é o cerne do alto-controle. O fracasso faz com que haja transformação interior, na maioria das vezes ensinando maravilhas quando canalizado para si como experiência útil a fim de se desenvolver interiormente em vida.

- Afinal, nem sempre o que consideramos fracasso realmente o é.





- Observe um filho de dois anos de idade que não reconhece mais os pais como casal, na situação de os pais realmente não serem mais um casal no sentido ocidental tradicional judaico-cristão da coisa. Esse filho ama seus pais, quer-lhes bem, necessita deles por perto, mas não necessariamente como casal.

- Manter-se na ordem nessa situação, sentido-se triste por isso, é simplesmente não perceber uma ordem justificada por uma tradição organizada em apenas UM molde específico, dos MILHÕES POSSÍVEIS de serem construídos em sociedade.

- Quem foi que disse que, ao nascer, teríamos que passar uma imagem paralela à ordem costumeira, aos nossos herdeiros?

- As dificuldades causadas da diferença são de ordem meramente organizacional. E todo costume é passível de adaptação.

- As experiências dos que vivem passíveis de transformação (todos) buscando intensidade na vida (alguns) – e desfrutam das sensações maravilhosas que isso causa – são únicas. São explosões intermitentes, inexplicáveis. É das dificuldades que esse modo de vida se propõe que se abrem novas janelas a novos horizontes de possibilidades nunca antes imaginados.

- É como ter gradeada uma belíssima janela numa parede de cobogós. Os buracos da parede nos fazem ver o que está fora, porém numa certa segurança e limite. Quando a janela é aberta, temos uma vista à mostra para novos perigos e oportunidades, podendo-se ver outros ângulos antes nunca vistos, realidades nunca antes reparadas, respostas nunca antes alcançadas, que, com o tempo, tornam-se costumes a partir da adaptação.

- As dificuldades da adaptação é que pesam. Mas é esse peso que nos transforma e nos faz humanos em busca do que chamam vida, quando canalizado nesse sentido.



- E nesse sentido, a beleza e a força consequenciadas dessas propostas de risco compensam qualquer perigo.

- E como saber se não compensariam se não nos atrevermos a nos arriscar, se é isso que buscamos? Não falo somente da futilidade de se arriscar num grandioso investimento na bolsa de valores. Falo de se arriscar em função do outro, em busca de felicidade no caminho com o outro, a partir da compreensão e da paciência com as diferenças.

- As dificuldades geradas pelas situações de busca produzem energia suficiente para se renascer infinitas vezes, sempre mais forte e sábio do que antes, até o limite da morte (que nos transpassará para um desconhecido).

- O cerne da questão está em não amortizar o sofrimento; não paleativizar a proposta de busca da verdadeira felicidade na busca, no caminho “do-ser-feliz”. É como o próprio Nietzsche propõe, quando diz que aquilo que não nos mata, só nos fortalece.

- Nesse sentido, abolir o sofrimento é vagar no vazio porque o sofrimento transforma qualquer transição, e como tudo sempre é transição, dá a nós, humanos, atuação de uma vida menos irreal e mais pulsante.


- Vem!








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