sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Desconhecemos a arte de prevenir-vos contra NÓS.





























"É assim que começo a pensar em tentar refletir em sentidos de práxis o novo som que eu estou fazendo com um pessoal profissional por aqui. Apesar de desconhecermos a arte de prevenir-vos contra nós, é percorrendo o universo musical com sensibilidade e ultrapassando a barreira do superficial, que já se chegará bem próximo de uma descrição do que pode vir a ser esse novo sentido".
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Falo da "Ínsula", projeto musical de Juliano Muta no violão, voz e barulhos; Demóstenes Jr. no cavaquinho, no trompete e na voz; eu, Fel, no contrabaixo e na voz; Luis Carlos no seu estrondoso violoncelo; o nosso magnânimo Leonardo Vila Nova, na percussão e na voz; e nosso gaiato Manuel Cunha Filho, o Manel, na bateria.

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Não vou me atrever a tentar rotular estilo, moda, visual, ou qualquer adjetivo específico, porque considero um tanto complicado conseguir fazer isso (mas pra quem não perdoa e faz questão de uma tentativa de rotulação, eu me atrevo a chamar de MPB-Jazzístico-tropicalista-abaiãozado, se servir, hahahahahahahahahahahahahahahahaha) ou então, como a nós foi proposto, chamarmos de "Árido-Jazz"; aquela coisa áspera, areia, que une de tudo para poder sobreviver num meio mais hostil que amigo, contudo impregnado de arte, sentimento, improviso e originalidade.
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Pois é, é bem por aí. A banda tem pouco tempo, mas já mostra que tem frutos muito bons pra dar, ou sementes muito lindas pra plantar, com músicas próprias e releituras de diversas outras, em diversos estilos.
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Em breve serão disponibilizados links pra blog, comunidade no orkut ( http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38509620 ), site, myspace, e relacionados que geralmente se usa pra divulgação virtual. Aí, colocarei tudo aqui, imediatamente. A priori, disponibilizarei aqui as únicas 4 músicas que temos gravadas em pré-mix por enquanto - encontram-se num link embaixo da foto da "mão vermelha" - todas devidamente registradas e criadas por nós (há também letras que são poemas de Miró, um poeta recifense da atualidade).
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Então, vão curtindo por aí esse início, que o fim tá longe do começo.







A Ilha dos Vícios - Ínsula

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Concreto e neblina cega. O homem moderno vive imerso em uma maquete de mundo que criou para se sentir seguro e nem conhece direito o planeta em que vive, que dirá o universo. Mas há algo que grita dentro de cada ser humano, silenciosamente, ao fechar os olhos ou meditar. Até onde o que existe é criado pelos sentidos? Qual o limite entre o real e a fantasia? E se tudo que vemos não passar da construção ancestral de uma linguagem viciada?
A resposta para a origem dos desejos está numa ilha dentro de nossas cabeças: Ínsula. Sua função cerebral é o controle de todos os vícios, os impulsos de vida. É ela a responsável por iludir nossos olhos, boca e ouvidos, sendo a fonte de nosso prazer e de nossa dor. Desatento, pode alguém passar pela vida e não vivê-la de fato, ludibriado pelos sentidos.
Nesse cenário, a música é libertadora. Ela tem o poder de nos levar além dos limites, fazendo-nos transcender o visível. Ao acompanhar uma harmonia e uma melodia bem construída, a mente viaja por mundos nunca antes visitados. É justamente essa a proposta do grupo. Percorrer o universo musical com sensibilidade de ultrapassar a barreira do superficial. No repertório, músicas próprias e versões de compositores consagrados, sem fronteiras geográficas ou estilísticas. A idéia é ter liberdade para, por exemplo, fazer uma leitura de um standard do jazz norte-americano se utilizando de elementos tupiniquins ou executar um típico baião nordestino com o mesmo apuro e cuidado, sem preconceitos, pois música é universal. Há boa música em Bangladesh e na China, em Oklahoma ou no sertão do Pajeú, basta estar aberto a ouvi-la.








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Link pra download de 4 músicas, para demonstração, em WinZIP: http://www.mediafire.com/?e2qwpebfynf




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Das Sensações, por Diego Alberto


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A primeira impressão é de um ambiente imenso, quimérico e repleto de movimentos alternantes. Em “4h e 1min”, sinto um certo deslocamento do meu espírito, aos alumbramentos do bairro da Boa Vista, no centro do Recife, que por sua vez me remete à Manoel Bandeira e toda uma atmosfera simples e tranqüilizante. Muito boa essa música, adorei as incursões do início, das vozes ao poema, e no final, o sino que parece por fim em tudo, como num acaso. Então saio de um sonho bom, parar entrar na boa energia que emana da “Missa”. Uma sobreposição de imagens me passa e me leva, até que a figura de um deus canibal que me devora e me faz lembrar do jazz, da bossa nova e do tropicalismo, ao mesmo tempo que aponta para origens africanas de nossa música. Ótima harmonia instrumental e aquele gosto de estar conscientemente chapado, diante daquelas situações de dejavu que persiste em nos acometer de repente... Muito boa essa “Missa”. “Não quero saber o nome do meu pecado/eu caminho nos caminhos que a lua reluz/e reduz/o homem no homem/simples e puro/simples e puro...” Estes versos sintetizam um sentimento de liberdade tão profundo, que bastaria somente isso na canção e tudo seria permitido. Mas a música tem muito a dar, principalmente no conjunto de rítmico de sopro e percussão... Com certeza essa energia é outra coisa mais bela... Tenho a forte impressão de que a música produzida pela Ínsula tem muito mais de mar, do que propriamente de ilha. Afinal é abundante o conteúdo de acontecimentos sonoros produzidos pela banda... e isto é só o começo.
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Ínsula é:




- Juliano Muta - violão, voz e barulhos


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- Demóstenes Jr. (macaco) - cavaquinho, trompete e voz






- Felipe Viana (fel) - contrabaixo e voz






- Luis Carlos - violoncelo






- Leonardo Vila Nova (leo doido) - percussão e voz








Manoel Cunha (manel) - Bateria






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Agora, anatomicamente falando...



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Das Emoções






A Ínsula, num conceito da wikipédia, é um um lobo profundo, situado no fundo do sulco lateral, no encéfalo. A ínsula tem forma triangular com vértice ínfero-anterior, está separada dos lobos vizinhos por sulcos pré-insulares. Possui cinco giros (curtos e longos). Suas principais funções são fazer parte do sistema límbico e coordenar emoções, além de ser responsável pelo paladar.



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A anatomia das emoções







"Uma pequena estrutura do cérebro, a ínsula, estásurpreendendo os cientistas, que ali descobrema sede de diversos sentimentos humanos", por Anna Paula Buchalla.








Numa das regiões mais recônditas do cérebro, os neurocientistas encontraram uma nova peça para um dos mais instigantes quebra-cabeças da medicina – o mapeamento das emoções humanas. Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula trabalha em parceria com outras duas estruturas cerebrais, o córtex pré-frontal e a amígdala (estes, sim, velhos conhecidos dos estudiosos no controle de diversas emoções). A ínsula funciona como uma espécie de intérprete do cérebro ao traduzir sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia. "Ela dá colorido psíquico às experiências sensoriais", diz o neurocirurgião Arthur Cukiert. Ou, como definiu o psiquiatra americano Martin Paulus, professor da Universidade da Califórnia, é na ínsula que o corpo e a mente se encontram.
Descrita pela primeira vez no fim do século XVIII, pelo anatomista e fisiologista alemão Johann Christian Reil, a ínsula sempre foi negligenciada pelos pesquisadores. A dificuldade de acesso impedia estudos mais minuciosos sobre sua fisiologia. Nos últimos dez anos, graças ao aperfeiçoamento dos exames de imagens, como a ressonância magnética funcional, a ínsula despertou a atenção dos neurocientistas. Flagrada em pleno funcionamento, já se viu que ela é ativada toda vez que alguém ri de uma piada, ouve música, reconhece expressões de tristeza no rosto de outra pessoa, quer se vingar ou decide não fazer uma compra (veja o quadro) "Os estudos já mostraram também que a superativação da ínsula está relacionada a diversos distúrbios psiquiátricos, sobretudo as fobias e o transtorno obsessivo-compulsivo", diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo. Imagens do cérebro indicam que lesões na ínsula podem levar à apatia, à perda de libido, a alterações na memória de curto prazo e à incapacidade de alguém distinguir pelo cheiro um alimento fresco de outro estragado.
O trabalho mais fascinante sobre a ínsula foi divulgado recentemente pela revista científica Science. Tudo começou com a história do senhor N., de 38 anos. Tabagista compulsivo, ele fumava cerca de quarenta cigarros por dia. Um derrame, no entanto, fez com que ele instantaneamente abandonasse o vício – "esquecesse a vontade de fumar", como descreveu aos pesquisadores das universidades de Iowa e do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Com o derrame, a ínsula do senhor N. havia sido lesionada. Outros pacientes, também fumantes e com danos na mesma região cerebral, foram avaliados. A maioria deles perdeu a vontade de fumar. Esse estudo foi o primeiro a relacionar uma área específica do cérebro ao vício. "O tabagismo não pode ser explicado apenas pela ação da nicotina no cérebro", diz Nasir Naqvi, um dos autores da pesquisa. "O vício deflagra uma série de mudanças comportamentais e fisiológicas – o aumento dos batimentos cardíacos, a elevação da pressão, a alteração do paladar e a sensação da fumaça entrando nos pulmões, entre outras." Todas essas informações são processadas na ínsula e traduzidas na ânsia de acender mais um cigarro. Trabalhos como esse abrem o caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o tabagismo e outros vícios, como a dependência de drogas e o alcoolismo.
Como se trata de uma área de pesquisa relativamente nova, a ciência ainda não conseguiu esmiuçar todas as funções da ínsula. As diferentes partes do cérebro não agem isoladamente, mas por meio de circuitos múltiplos, que interagem entre si – o que torna o estudo do cérebro extremamente complexo. De qualquer forma, as descobertas recentes sobre a ínsula são uma fonte preciosa de informações sobre a anatomia das emoções. Um dos grandes estudiosos do tema é o neurocientista português António Damásio. Ele busca em seus estudos a base biológica das emoções e da consciência humanas. "Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo", escreveu Damásio no livro O Erro de Descartes.














A ponte entre o corpo e a mente






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ONDE FICA: Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula está localizada numa das áreas mais profundas do cérebro, na face interna do lobo temporal, um dos sistemas envolvidos no processamento da memória, do pensamento e da linguagem
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O QUE SE SABIA SOBRE A ÍNSULA

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Até dez anos atrás, a ínsula era caracterizada como uma das áreas mais primitivas do cérebro, envolvida em atividades básicas como alimentar-se e fazer sexo.









...E O QUE REVELAM AS DESCOBERTAS MAIS RECENTES



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• Na porção frontal da ínsula, experiências sensoriais são transformadas em emoções e sentimentos como nojo, desejo, decepção, culpa, ressentimento, orgulho, humilhação, arrependimento, compaixão e empatia;





• Ela prepara o organismo para situações que ainda estão por vir. Quando, por exemplo, alguém tem de sair de casa e lá fora faz frio, a ínsula é ativada de modo a ajustar o metabolismo para enfrentar a situação;





• A ínsula modula a resposta do organismo a estímulos dolorosos;







• Em pacientes vítimas de fobias e de transtorno obsessivo-compulsivo, a ínsula registra atividade intensa;




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10 comentários:

lia. disse...

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cada vez que passo por aqui, me encanto com a sua maneira de escrever. ai, acho os meus rabiscos tão tontos...bate uma sensação meio egocêntrica...enfim, viva a arte e um dia, vou ver você no contrabaixo, ao vivo!

:)

leonardo vila nova disse...

o que posso dizer (como integrante da banda) é que Ínsula é..

é..

é..

é..

é..

.. isso aí tudinho mesmo que Fel colocou..

hehehe..

menino aplicado esse meu amigo/irmão.

bêjús.

Pastiche disse...

Muito legal o blog, tenta dar uma trabalhada na formatação pq pelo firefox tá meio explodindo algumas imagens =D

mas os textos estão otimos =D

espero que vocês se deem muito bem com o projeto de vocês =)

tou trabalhando aqui na FUNDAJ com o Demo =)

qq dia eu e Ailma vamos para alguma apresentação de vocês =)

abraço

Liliane disse...

acredito sim q muitas pessoas passam pela vida sem viver, sem aproveitar. O mundo hj está cheio de pessoas egocentricas, que querem tudo pra si e acham que podem tudo, passando por cima de todos, dos sentimentos, de tudo.
Quero muito ver vcs tocarem viu :)
sucesso

xero grande

Luciana Varejão disse...

P-E-R-F-E-I-T-O!
Muito bacana, Fel!
Sem contar que tu escreves lindamente de um jeito que é só tu!
Lindo, lindo, lindo!
Cheirooo

troiani disse...

meu Deus!!! não acredito que tenho um amigo artista!!! putzzz! não sabia que você escrevia tão bem, tô tão emocionada, nem sei o que escrever direito... uma linguagem e assuntos super envolventes, é simplesmente fantástico! te adoro! muitos beijos,

Gell disse...

fel se você me quiser chamar para sua banda ihiahaiuhauiahuha muito boa a idéia menino...vc é uma pessoa muito sensível, nem precisa dizer né? já sabes! gostei muito, mas nem conseguir baixar a música! depois me manda tá? beijoss fel
Angélica

cinco bombas atômicas, em cima do seu cérebro disse...

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A banda é nossa!

De todos nós!

todos fazemos ela!

quem tá dentro, e quem tá fora.

=o)

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anely disse...

tu sempre surpreende.
adorei e tenho certesa q a banda vai surpreender muito tbm.
beijos.

Yale disse...

Lindo!!! só posso dizer uma coisa: muito...muito...muito...BOM!

Xerooooooooooooo